O texto abaixo resume as principais decisões do G-20, o encontro dos representantes das 20 maiores economias do planeta, ocorrido em Londres na última 4ª feira.
"Enfrentamos o maior desafio dos tempos modernos para a economia mundial. Uma crise que se agravou desde o nosso último encontro, afetando as vidas de mulheres, de homens, e de crianças em todos os países e frente à qual todos os países devem se unir para resolvê-la. Uma crise mundial exige uma solução mundial".
"Partimos do princípio de que a prosperidade é indivisível e que o crescimento, para ser durável, deve ser compartilhado (...)".
"Estamos comprometidos hoje a fazer tudo o que for necessário para:
- restabelecer a confiança, o crescimento e o emprego;
- reparar o sistema financeiro para restabelecer o crédito;
- reforçar a regulação financeira para manter a confiança;
- financiar e reformar nossas instituições financeiras para superar esta crise e evitar outras.
- promover o comércio mundial e o investimento, e rejeitar o protecionismo
- promover uma retomada ecológica e sustentável"
O G20 apresentou um programa de 1,1 trilhão de dólares destinado a estimular o crédito, o crescimento e o emprego, passando principalmente por um aumento para 750 bilhões de dólares dos recursos do FMI, por uma injeção de 250 bilhões de dólares no comércio, e pelas vendas do ouro de reserva do FMI para ajudar as nações mais pobres.
Restaurar o crescimento e o emprego
O G-20 "se compromete a fazer o esforço orçamentário necessário para restaurar o crescimento". Compromete-se em "fazer o necessário para restaurar um fluxo de crédito normal no sistema financeiro e assegurar que as instituições de importância sistêmica permaneçam saudáveis". Compromete-se a não desvalorizar suas moedas com fins de concorrência.
Reforço da supervisão financeira e da regulação
"A confiança não será restaurada enquanto não tivermos restaurado a crença em nosso sistema financeiro". O G20 vai reforçar a coerência das regulamentações nacionais e os critérios financeiros internacionais, sobretudo, para "desencorajar tomadas de riscos excessivas".
Vai "agir" contra as jurisdições não-cooperativas, entre elas os paraísos fiscais. "A era do segredo bancário acabou".
Reforço das instituições financeiras mundiais
O G20 quer "reformar o mandato, o campo de ação e a governança" de instituições como o FMI ou o Banco Mundial, e promete concluir até janeiro de 2011 uma revisão das cotas do FMI. Os dirigentes dessas instituições serão designados de maneira "aberta, transparente e baseada no mérito"
Resistir ao protecionismo
O G20 reafirma que "impedirá o surgimento de novas barreiras" protecionistas até o final de 2010, e se mantém comprometido em "obter uma conclusão ambiciosa e equilibrada" da Rodada de Doha
Retomada justa e duradoura para todos
O G20 reconhece "o impacto desproporcional sobre as pessoas vulneráveis nos países mais pobres, a dimensão humana desta crise".
Algumas dessas decisões, sem dúvida, reformarão o capitalismo, que nunca mais será o mesmo. Alguns jornais da imprensa européia falam disso claramente. E isso explica o título desse post - the turning point - o ponto de virada. As decisões do G-20 parecem que se constituirão no ponto de virada histórico para o capitalismo inteligente.
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