sexta-feira, 3 de abril de 2009

O G-20 e a regulação estatal da economia

Guido mantega, Ministro da Fazenda brasileiro, comparando a reunião de Bretton Woods (que criou o FMI) com o encontro do G-20:
"Se John Keynes - o economista que pregou a intervenção do Estado na economia - se espantaria com o nível de intervenção do Estado que os líderes defenderam no G-20: - Pode nascer uma nova ordem mundial. Todos nós nos tornamos pós-keynesianos".

No artigo Mercado, Sociedade, Regulação [publicado abaixo, nesse Blog], escrevíamos o seguinte:

"Lembrando Karl Polanyi (A Grande Transformação), penso que a crise ora instalada evidencia o seguinte: o mercado na sociedade capitalista é uma instituição que cresceu na medida mesmo que submetia a sociedade aos seus ditames; e seu papel nessa sociedade é, basicamente, um papel de destruição dos vínculos sociais existentes (como um moinho satânico), para a realização de sua natureza. Nessa linha de raciocínio, penso que a solução duradoura para tais crises seria não uma intervenção pura e simples, mas uma regulação muito maior do que os políticos estão dispostos a adotar. Seria quase como uma domesticação do mercado para impedir que ele se transforme num monstro devorador de tudo".

É...parece que os políticos se dispuseram a adotar.

G-20, Obama e Lula

"Esse é o cara. Eu adoro esse cara (...) o político mais popular do planeta."

Essas são as palavras com as quais o Presidente dos Estados Unidos se dirigiu a Lula, no encontro do G-20, em Londres. Pego de surpresa, Lula demorou alguns segundos para se recompor e logo iniciou uma conversa com os políticos presentes puxando Obama pelo braço. Em certo momento da fala de Lula Obama ri. Gostaria muito de saber o que disse o nosso presidente.

Alguns analistas avaliaram a abordagem do Presidente Obama como sendo cheia de ironia. Outros, como Merval Pereira, acreditam que não, que foi uma fala autêntica, de alguém que realmente gosta do Presidente Lula. Estou com esses últimos e reproduzo aqui um comentário "anônimo" feito no site do Estadão.com, hoje:

"vi o vídeo no original, falo inglês perfeitamente e moro em país de língua inglesa há 6 anos. Obama foi autêntico, não há tentativa nenhuma de tirar sarro de Lula".

Por sua vez, Lula disse tudo não passou de uma brincadeira e que Obama foi "muito amável". É isso aí. ambos foram gentis. O que é evidente é que existe uma química forte entre os dois presidentes.

Estão criadas as condições políticas subjetivas para que as negociações importantes entre EUA e Brasil comecem a se efetivar.