sexta-feira, 22 de maio de 2009

The Corporation

Acabei de ver The Corporation, um filme/documentário de Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan. Cheio de prêmios internacionais, ele traça uma trajetória da Corporação desde o início do século XVIII até os dias atuais, mostrando, sobretudo, como esse tipo de organização empresarial nasceu, cresceu e passou a dominar a sociedade local e o mundo. Algumas passagens são inquietantes. Por exemplo, quando traça um paralelo entre a pessoa física - todos nós, cidadãos - e a pessoa jurídica, que é uma corporação. Nós, os cidadãos, somos pessoas morais, na medida em que nosso comportamento é balizado por injunções morais. E quando agimos contra a ética, ainda existe as sanções legais a nos coagirem juridicamente. Ao contrário, as corporações se caracterizam, justamente, por serem entes amorais: apenas um objetivo guia a ação das corporações - o lucro. Para conseguir tal objetivo, muitas corporações não se intimidam e nem se detém em criar produtos ou agirem em detrimento dos interesses das pessoas e da sociedade. As corporações possuem, segundo a visão passada pelo documentário, um comportamento eminentemente a-ético. Nesse sentido, poderíamos dizer o seguinte: que distância têm o capitalismo hoje, da sua origem puritana, segundo Max Weber, em que a conduta ética dos agentes históricos foi o fator cultural determinante de sua formação (ver a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber). Além, digamos, dessa liberdade ética, as coporações não são submetidas às regras legais, ou o são apenas de forma tênue. Ninguém nunca viu uma corporação presa, encarcerada. Assim, pode-se dizer que o filme/documentário The Corporation é exaustivo na crítica às corporações. Não sobra nada de pé. Desnuda os interesses subjacentes das ações das mesmas.
Muito interessante, também, que nos países mais desenvolvidos, esse tipo de organização empresarial começa a ser questionada politicamente pelos cidadãos, através de protestos, passeatas, e outras ações. Não me lembro de ter visto esse tipo de ação política por aqui.
Conta, ainda, com depoimentos de inúmeras pessoas como Noam Chomsky, Michael Moore, entre outros e um DVD somente de entrevistas.
Uma ótima dica para ver nesse fim de semana de frio. Voltarei ao assunto.

Delírios d'el Comandante?

Muito bom o artigo "Delírios caribenhos", de Nelson Motta, publicado, hoje, em O Globo. Nelsinho nos diz que não consegue deixar de ler a coluna de Fidel Castro no jornal cubano Granma, pelo fato de ser hilariante o que escreve El Comandante. Por exemplo, Nelson Motta cita o ex líder cubano para quem há um monopólio das comunicações "que estão nas mãos de grupos que controlam tudo que é publicado" no interesse do imperialismo ianque. Fidel parece não se dar conta que isso se aplica, como uma luva, ao que acontece em Cuba, onde os detentores do poder controlam toda publicação além de dificultar o acesso dos cubanos à internet, etc.
Fidel Castro comenta também, ainda segundo Nelson Motta, que "são evidentes os esforços do Pentágono para monopolizar a informação e as redes de internet. Para bloquear o acesso de Cuba a essas fontes". Quer dizer, o comandante atribui aos EUA o bloqueio digital dos cubanos à internet, evitando de atribuir aos líderes políticos cubanos (inclusive a ele mesmo), a responsabilidade por isso. Realmente, é hilário o que escreve o ex líder de Cuba, em que subjaz uma crença arraigada numa conspiração permanente contra Cuba e os cubanos, embora possamos imaginar não ser o que pensa os cubanos, haja vista que grande parte deles fogem ou tentam ou querem sair do país, justamente, para os EUA.
Segundo Nelson Motta, ainda, "a verdadeira revolução vai começar quando a internet e a TV forem livres para todos os cubanos. E a tecnologia, qua não tem ideologia, tornará isso inevitável, é só uma questão de tempo e de bites".
Concordo com essa avaliação, como alías, ressaltamos no post anterior nesse blog.