quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cuba: liberdade ainda que tardia!

O fim do bloqueio econômico dos EUA em relação à Cuba vai transformar a Ilha, além de se constituir uma mudança e tanto nas relações internacionais e para a America Latina em particular. As medidas iniciais tomadas pelo presidente dos EUA - fim das restrições para remessa de dinheiro e às viagens de cubanos-americanos à Cuba - devem ser consideradas como os primeiros passos para aquele objetivo. Mas, um longo caminho vai ser percorrido onde o papel da população não será nada desprezível. Ao contrário, será essencial.
Segundo Cristina Azevedo, em matéria no Jornal O Globo de 19/04/2009, "A ajuda econômica poderá facilitar o acesso à internet, que chega a custar £ 6 (6 euros) a hora, e se traduzir em maior facilidade para comprar e receber computadores e celulares e na troca de informações. O Governo de Barack Obama derrubou ainda restrições à negócios de empresas de telecomunicações com Cuba".
Tudo isso vai se traduzir em mais liberdade dentro da Ilha, segundo uma fórmula já conhecida em países socialistas/autoritários que passaram por transformações profundas: mais recursos econômicos levarão à intensificação do uso de tecnologia comunicacionais que ampliará a troca de informações. Tudo isso poderá resultar em mais liberdade política.
Essa perspectiva é ressaltada por Yoni Sánchez, a responsável pelo site Generación Y, que acompanhamos aqui nesse Blog. Quando perguntada se as medidas do governo americano vão ajudar na liberdade de informação, ela responde:
"Sim. Elas rompem a fórmula da confrontação. A tecnologia, vinda de cubano-americanos e o que vão trazer devem gerar mais abertura".
Para ela ainda um contato maior com parentes vai ser um fator importante para que ocorram mudanças uma vez que, "as medidas ajudarão mais pessoas a se tornarem independentes economicamente do Estado, e isso gera a independência política. Os familiares contarão como vivem no exterior. Na medida que recebem informações, as pessoas decobrirão que aqui não é inferno nem paraíso. Isso mexerá com a mentalidade cubana" (Fonte: O Globo, 19/4/2009-p.34).

Somos solidários com essa esperança. Principalmente somos solidários com a expansão da liberdade na Ilha que, acreditamos, será um elemento impulsionador do desenvolvimento e do progresso em Cuba.

Liberdade, ainda que tardia!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Está em curso uma revolução nas Relações Internacionais

"Os Estados Unidos não estão e nunca estarão em guerra contra o Islã", disse o Presidente Barack Obama na Turquia. Essas palavras já tinham sido ditas por George Bush. Só que o ex-presidente americano falava uma coisa e tudo fazia para demonstrar justamente o contrário.
Na boca do atual presidente essas palavras ganharam uma credibilidade impressionante. Além de terem coroado o sucesso da 1ª viagem internacional do presidente americano, elas foram proferidas depois de inúmeros discursos na mesma linha, a saber:
1) O Sr. Obama já tinha enviado um vídeo à população iraniana em que manifestava a admiração por aquela grande nação e reiterava a importância que o Irã pode ter nas relações internacionais, dizendo ainda que os Estados Unidos estariam de mãos estendidas para apertar as mãos dos iranianos.
2) Disse claramente aos iraquianos que os Estados Unidos não disputam e nem têm nenhum interesse nos bens do país e que querem deixar o Iraque para os iraquianos.
3) Reiterou sua posição favorável ao estabelecimento do Estado Palestino, posição contrária a do governo israelense.

Bem no início desse Blog escrevíamos que haveria profundas mudanças na política externa americana, com a eleição de Barack Obama. Sem dúvida isso está se confirmando e estamos vivendo um grande momento histórico, nesse sentido.

domingo, 5 de abril de 2009

Decisões do G-20: the turning point of the smart capitalism

O texto abaixo resume as principais decisões do G-20, o encontro dos representantes das 20 maiores economias do planeta, ocorrido em Londres na última 4ª feira.

"Enfrentamos o maior desafio dos tempos modernos para a economia mundial. Uma crise que se agravou desde o nosso último encontro, afetando as vidas de mulheres, de homens, e de crianças em todos os países e frente à qual todos os países devem se unir para resolvê-la. Uma crise mundial exige uma solução mundial".

"Partimos do princípio de que a prosperidade é indivisível e que o crescimento, para ser durável, deve ser compartilhado (...)".

"Estamos comprometidos hoje a fazer tudo o que for necessário para:

- restabelecer a confiança, o crescimento e o emprego;
- reparar o sistema financeiro para restabelecer o crédito;
- reforçar a regulação financeira para manter a confiança;
- financiar e reformar nossas instituições financeiras para superar esta crise e evitar outras.
- promover o comércio mundial e o investimento, e rejeitar o protecionismo
- promover uma retomada ecológica e sustentável"

O G20 apresentou um programa de 1,1 trilhão de dólares destinado a estimular o crédito, o crescimento e o emprego, passando principalmente por um aumento para 750 bilhões de dólares dos recursos do FMI, por uma injeção de 250 bilhões de dólares no comércio, e pelas vendas do ouro de reserva do FMI para ajudar as nações mais pobres.

Restaurar o crescimento e o emprego
O G-20 "se compromete a fazer o esforço orçamentário necessário para restaurar o crescimento". Compromete-se em "fazer o necessário para restaurar um fluxo de crédito normal no sistema financeiro e assegurar que as instituições de importância sistêmica permaneçam saudáveis". Compromete-se a não desvalorizar suas moedas com fins de concorrência.

Reforço da supervisão financeira e da regulação
"A confiança não será restaurada enquanto não tivermos restaurado a crença em nosso sistema financeiro". O G20 vai reforçar a coerência das regulamentações nacionais e os critérios financeiros internacionais, sobretudo, para "desencorajar tomadas de riscos excessivas".

Vai "agir" contra as jurisdições não-cooperativas, entre elas os paraísos fiscais. "A era do segredo bancário acabou".

Reforço das instituições financeiras mundiais
O G20 quer "reformar o mandato, o campo de ação e a governança" de instituições como o FMI ou o Banco Mundial, e promete concluir até janeiro de 2011 uma revisão das cotas do FMI. Os dirigentes dessas instituições serão designados de maneira "aberta, transparente e baseada no mérito"

Resistir ao protecionismo
O G20 reafirma que "impedirá o surgimento de novas barreiras" protecionistas até o final de 2010, e se mantém comprometido em "obter uma conclusão ambiciosa e equilibrada" da Rodada de Doha

Retomada justa e duradoura para todos
O G20 reconhece "o impacto desproporcional sobre as pessoas vulneráveis nos países mais pobres, a dimensão humana desta crise".

Algumas dessas decisões, sem dúvida, reformarão o capitalismo, que nunca mais será o mesmo. Alguns jornais da imprensa européia falam disso claramente. E isso explica o título desse post - the turning point - o ponto de virada. As decisões do G-20 parecem que se constituirão no ponto de virada histórico para o capitalismo inteligente.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O G-20 e a regulação estatal da economia

Guido mantega, Ministro da Fazenda brasileiro, comparando a reunião de Bretton Woods (que criou o FMI) com o encontro do G-20:
"Se John Keynes - o economista que pregou a intervenção do Estado na economia - se espantaria com o nível de intervenção do Estado que os líderes defenderam no G-20: - Pode nascer uma nova ordem mundial. Todos nós nos tornamos pós-keynesianos".

No artigo Mercado, Sociedade, Regulação [publicado abaixo, nesse Blog], escrevíamos o seguinte:

"Lembrando Karl Polanyi (A Grande Transformação), penso que a crise ora instalada evidencia o seguinte: o mercado na sociedade capitalista é uma instituição que cresceu na medida mesmo que submetia a sociedade aos seus ditames; e seu papel nessa sociedade é, basicamente, um papel de destruição dos vínculos sociais existentes (como um moinho satânico), para a realização de sua natureza. Nessa linha de raciocínio, penso que a solução duradoura para tais crises seria não uma intervenção pura e simples, mas uma regulação muito maior do que os políticos estão dispostos a adotar. Seria quase como uma domesticação do mercado para impedir que ele se transforme num monstro devorador de tudo".

É...parece que os políticos se dispuseram a adotar.

G-20, Obama e Lula

"Esse é o cara. Eu adoro esse cara (...) o político mais popular do planeta."

Essas são as palavras com as quais o Presidente dos Estados Unidos se dirigiu a Lula, no encontro do G-20, em Londres. Pego de surpresa, Lula demorou alguns segundos para se recompor e logo iniciou uma conversa com os políticos presentes puxando Obama pelo braço. Em certo momento da fala de Lula Obama ri. Gostaria muito de saber o que disse o nosso presidente.

Alguns analistas avaliaram a abordagem do Presidente Obama como sendo cheia de ironia. Outros, como Merval Pereira, acreditam que não, que foi uma fala autêntica, de alguém que realmente gosta do Presidente Lula. Estou com esses últimos e reproduzo aqui um comentário "anônimo" feito no site do Estadão.com, hoje:

"vi o vídeo no original, falo inglês perfeitamente e moro em país de língua inglesa há 6 anos. Obama foi autêntico, não há tentativa nenhuma de tirar sarro de Lula".

Por sua vez, Lula disse tudo não passou de uma brincadeira e que Obama foi "muito amável". É isso aí. ambos foram gentis. O que é evidente é que existe uma química forte entre os dois presidentes.

Estão criadas as condições políticas subjetivas para que as negociações importantes entre EUA e Brasil comecem a se efetivar.