Quando o que é realmente novo aparece na história e, dadas as condições, se encarna em idéias claras, liderança consistente e pessoas que acreditam ser possível mudar, torna-se muito difícil deter o seu desenvolvimento. Tudo indica ser isso o que vem acontecendo nos EUA desde que uma nova liderança surgiu na cena política americana e vem, nos últimos cinco anos, não só afirmando as novas idéias, mas obtendo sucessivos apoios.
O discurso do presidente dos EUA mostrou um líder que sabe para onde quer ir e, principalmente, sabe o que tem de ser feito para chegar lá. Nesse post, não vou me alongar muito. Mas o principal é o seguinte:
As idéias defendidas por Barack Obama no Congresso americano apontam para uma mudança substancial no modus operandi do capitalismo e, consequentemente, em nosso modo de viver, em nossa escala de valores. O momento para a mudança é propício, tendo em vista a debilidade mundial do capitalismo em função de sua crise sistêmica, em curso. Mas, afinal, o que é o novo?
Calma. O capitalismo não vai desmoronar. Nem surgirá, em seu lugar, uma sociedade socialista, hipótese que já habitou o pensamento de gerações e que, por isso mesmo, é difícil ser abandonada por muitos (“a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”, Marx).
O que vai surgir é uma sociedade ainda capitalista, mas um capitalismo diferente do que nós conhecemos e que na falta de outra expressão o chamo de smart capitalism. No smart capitalism a ciência, o conhecimento, torna-se o lócus central do modus operandi do capitalismo. Não é apenas a tecnologia que, como hoje, é o aspecto central de nossa sociedade. No smart capitalism a tecnologia terá uma “alma”, a ciência. A ciência será mobilizada para, junto com a tecnologia, resolver problemas reais em diversas áreas da sociedade: educação, saúde, meio ambiente, produção, energia, etc., irradiando-se para todas as relações sociais. Por sua vez, a ciência estará guiada por valores éticos e humanos muito fortes: a inteligência humana criou o capitalismo que a submeteu em todo seu ciclo de expansão. Agora a inteligência humana é novamente chamada para o lugar de onde não deveria nunca ter saído: a conselheira para as boas soluções.
A legitimidade do velho capitalismo está morta. Trata-se de construir uma nova legitimidade. O smart capitalism é, no fundo, essa nova legitimidade, pois vai incorporar os valores que já estão presentes na sociedade revelados, por exemplo, na expansão do mercado de produtos orgânicos; no crescimento da idéia de responsabilidade social; na aceitação do ‘outro’ junto a uma visão mais tolerante com as diferenças culturais; num ampliado e inadiável desejo de preservar o meio ambiente, etc.
Muitos dos problemas que vivenciamos no mundo, em termos globais, ganham uma nova esperança de serem resolvidos. Com isso reafirma-se o otimismo muito bem representado na seguinte frase:
“A humanidade só coloca os problemas que é capaz de resolver” (Marx).
Mudamos (01/16)
Há 10 anos

2 comentários:
O momento é de mudanças. A classe dos trabalhadores assalariados é que vão sofrer no meio dessa grande turbulência dos EUA, pois muitas empresas irão se fechar. E com isso poderão reabrir só que com pessoas mais qualificadas, e como o professor mesmo diz; o que irá prevalecer é o conhecimento. Portanto, podemos superar isso tudo usando apenas nossa inteligência.
Pedagogia ISE-BJI
Camila Aparecida Teixeira de Aguiar
Renan Lima Pessanha
Olá, Renan e Camila!
Obrigado pelo comentário. Como veem, tem muito a ver com o que estamos discutindo em sala.
E é isso mesmo: o conhecimento vai prevalecer.
Apareçam mais e façam seus comentários.
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