Estou lendo avidamente o livro "A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros", de Antonio Risério. Pretendo, posteriormente, fazer um comentário mais abrangente do mesmo. Por ora adianto para os amigos desse Blog que é um livro muito bom. Não consegui largá-lo desde que o tive em minhas mãos.
É muito bem informado sobre as diferenças entre o segregacionismo racial dos EUA, sua origem e seus desdobramentos atuais e a hibridização (mestiçagem) da cultura brasileira; com base nos argumentos que são levantados critica vigorosamente a política dos movimentos negros no Brasil que pretende retirar "o mulato" da cena etnodemográfica brasileira e transformar o Brasil em um país bicolor (Black and White), como foi feito nos EUA.
O curioso é que enquanto isso é tentado em nosso país, cresce nos EUA o movimento que pretende fazer com que os "mulatos" americanos tenham reconhecido sua origem tanto negra quanto branca. É sabido que nos EUA basta ter uma única gota de sangue negro para que alguém seja considerado negro, mesmo que seja fenotipicamente branco ou que a maioria de seus ascendentes sejam brancos. Nesse sentido, surge a curiosa figura social do "passing", pessoa com características fenotípicas de pessoas brancas mas que possuem ascendência negra. Para evitar esse reconhecimento, fazem tudo para acentuar as características brancas (através de cirurgias, etc.) e, mais importante, procuram se afastar de tudo o que venha a lembrar essa ascendência.
A análise de Risério procura demonstrar que jamais seremos um país bicolor, que a sociedade brasileira se vê misturada, não é segregacionista, valoriza e se orgulha dessa mistura e que, mesmo sabendo que existe o racismo, combate-o firmemente.
É imperdível e recomendo sua leitura, sugerindo um futuro debate sobre ele nesse blog.
Mudamos (01/16)
Há 10 anos
