Mas será, essa, a melhor solução? Ou essa é uma solução possível no momento, mas ninguém garante que será duradoura? Estou entre os que acreditam que essa solução será momentânea, vigorando até a próxima crise, quando virão soluções novamente semelhantes e assim ... . Meu descrédito nessa solução advém do fato de acreditar que a solução dada resulta de uma grande incompreensão da própria crise e em particular de sua instituição central: o mercado.
Lembrando Karl Polanyi (A Grande Transformação), penso que a crise ora instalada evidencia o seguinte: o mercado na sociedade capitalista é uma instituição que cresceu na medida mesmo que submetia a sociedade aos seus ditames; e seu papel nessa sociedade é, basicamente, um papel de destruição dos vínculos sociais existentes (como um moinho satânico), para a realização de sua natureza. Nessa linha de raciocínio, penso que a solução duradoura para tais crises seria não uma intervenção pura e simples, mas uma regulação muito maior do que os políticos estão dispostos a adotar. Seria quase como uma domesticação do mercado para impedir que ele se transforme num monstro devorador de tudo.
O grande desafio é encontrar a equação adequada para que essa regulação exerça seu objetivo, isto é, arrefecer de forma duradoura os ânimos destruidores dessa instituição sem impedir o exercício de seu papel ativo na dinâmica econômica, de forma a não contribuir para fomentar a criação de outro monstro, o Leviatã que tudo suprime, principalmente, a liberdade.
Nota - Esta é a terceira e última parte de matéria em homenagem a K. Polanyi, que escreveu A Grande Transformação. Leia os posts (I) e (II).
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