O debate público sobre a política externa do país é muito contido. Deveria ser mais discutido pela sociedade brasileira, mas não é. São inúmeras as situações externas que evidenciam a necessidade desse debate.
Veja o caso de nossa relação com alguns países da América Latina. O governo não reagiu à invasão da refinaria da Petrobrás, na Bolívia, pelas tropas do exército boliviano. O fato colocou o país na defensiva, obrigando-o a rever cláusulas contratuais em relação ao preço do gás natural que importamos daquele país. Engolimos tudo aquilo a seco.
Mais recentemente, o Equador expulsou uma empresa privada brasileira, a Odebretch, impediu a saída de alguns de seus funcionários do país e disse que não iria pagar dívida contraída com o BNDES. O governo reagiu de forma um pouco menos convencional, mandando voltar ao Brasil o embaixador que servia naquele país. Mas ficou uma certa apreensão de que o Equador pode impor-nos uma derrota a qualquer momento.
Todos conhecem o caso do Paraguai. O presidente Lugo, desde a campanha eleitoral vem falando sobre a revisão do acordo sobre a hidrelétrica de Itaipu. Eleito, continuou tocando nesse ponto, até há dias atrás, foi veiculada a notícia de que o Paraguai queria o perdão de uma dívida de 19 bilhões com o Brasil.
Fica cada vez mais claro que os países da América Latina passam a considerar o Brasil um país imperialista e, para alguns governos da região, o confronto com o Brasil pode lhes render maior apoio eleitoral, garantindo-lhes a extensão de mandatos políticos.
Mudamos (01/16)
Há 10 anos

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