sábado, 8 de novembro de 2008

Mercado, Sociedade, Regulação (II)

Os liberais tiveram de admitir, no entanto, a necessidade da intervenção e acabou por prevalecer a perspectiva intervencionista não só nos EUA, mas nos vários países. Passou vigorar a idéia, inclusive, de que como a crise era global, a solução (intervenção) deveria ser global. Aparentemente, os líderes mundiais desprezaram o princípio liberal e sucumbiram ao intervencionismo estatal sobre o mercado.
No auge da crise, ainda, operadores de mercado passaram a consumir avidamente os escritos de Marx, em particular, O Capital, numa tentativa de compreender o que estava acontecendo. Centenas de milhares de exemplares desse clássico da literatura socialista foram comprados, embora não possamos saber se foram efetivamente lidos dada a proverbial dificuldade de compreensão do mesmo, principalmente do 1º volume.
Portanto, em que pese essa crise ter suscitado, também, uma mistura de sinais ideológicos - liberais ortodoxos aceitam a intervenção estatal no mercado; operadores (sempre crédulos nas virtudes do capitalismo) lêem O Capital, originalmente escrito para dar suporte à derrocada do mesmo – nos parece que vai se impondo aos poucos, uma solução keynesiana, tendo como referência aquilo que se viveu na década de 30, logo após a grande crise de 1929.

Nota - Post em homenagem a K. Polanyi que escreveu um dos cem livros mais influentes do século XX: A Grande Transformação. Essa é a parte II, a qual se seguirá a parte III.

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