domingo, 23 de novembro de 2008

O novo presidente dos EUA e o Protocolo de Kyoto

- Assim que eu assumir, vocês podem estar certos de que os Estados Unidos vão, mais uma vez, se engajar vigorosamente nessas negociações e ajudar a liderar o mundo em direção a uma nova era de cooperação global em mudanças climáticas.

Essas foram palavras do Presidente eleito dos EUA, Barack Obama. Assim, a luta dos agentes globais pela redução das emissões de gases que produzem o efeito-estufa ganhou um grande e inspirador apoio que vai colocar um ponto final na política do governo Bush, contrária ao Acordo de Kyoto.

Apesar de representar uma mudança de 180º na política que vinha sendo implementada pelo governo republicano e significar uma reviravolta espetacular na orientação dos EUA nessa matéria, é de se estranhar a reduzida repercussão que foi dada à mesma pela mídia. A notícia veiculada pelo jornal O Globo de 21 de Novembro de 2008 pode ser encontrada praticamente escondida no lado direito da página 32, na mesma página onde os destaques são matérias sobre o vírus Ebola, o aniversário de 10 anos da estação espacial e a migração dos animais na África, na época da seca.
Acreditamos, no entanto, que ainda vamos ver nesse grande jornal uma reportagem mais ampla dando conta dessa guinada na política americana em relação ao meio ambiente

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aspectos históricos das eleições americanas

Várias foram as razões que tornaram históricas as eleições americanas. Aqui mesmo nesse blog já discutimos algumas delas (ver os seguintes posts: O(s) significado(s) da eleição de Obama. Fazendo história, etc.).
Aqui transcrevemos alguns números publicados pelo Blog "Eleições Americanas 2008" do Nuno Gouveia, que mostram aspectos eleitorais que explicam o sucesso de Obama:

"13 milhões de endereços de email;
500 milhões de dólares angariados online;
6,5 milhões de doações de 3 milhões de doadores, com uma média de 80 dólares;
3,2 milhões de amigos no Facebook (Mccain tinha 600 mil) e mais dois milhões noutras redes sociais;
2 milhões de perfis criados no My.BarackObama.com;
Um milhão de participantes no programa de envio de sms;
400 mil voluntários que escreveram em blogs, 200 mil eventos criados por voluntários e 35 mil grupos locais criados;
3 milhões de chamadas telefónicas feitas nos últimos quatro dias da campanha eleitoral, por voluntários em suas casas".

Esses números tornam evidente que o candidato se serviu largamente das novas tecnologias da informação, em particular da internet. É a primeira eleição que faz uso direto desses novos recursos tecnológicos.

Por tudo isso também, essas eleições foram históricas e, certamente, influenciarão eleições em todo mundo de agora em diante.

Cabe registrar, ainda, que enquanto nos EUA se fazia uso da internet, dos blogs, do SMS, etc, aqui no Brasil existia toda uma discussão se se devia ou não impedir o uso dessas tecnologias nas eleições de 2008.
Meu Deus! nosso país é muito cartorial!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Análise do filme "A primeira noite de um homem"

Um momento lazer desse blog: indico que todos amigos assistam nesse fim de semana ao filme "A primeira noite de um homem", cuja análise adianto a seguir. Garanto ser uma ótima opção.

Vários aspectos chamam a atenção nesse clássico do cinema. O filme capta o espírito da época (década de 60) ao mostrar a evolução do personagem Benjamin (Ben) Braddock em direção à sua libertação pessoal numa sociedade altamente repressora. De fato, há uma cobrança social muito grande sobre o personagem. Uma vez formado, as pessoas a sua volta lhe cobram que trilhe o caminho do sucesso profissional e pessoal (casando-se com uma moça de família rica e bem sucedida). E essas cobranças tornam sua vida angustiante.

A primeira oportunidade que aparece na sucessão de seu processo de libertação e de encontro consigo mesmo ocorre quando é seduzido por Mrs. Robinson. É, também, a primeira experiência sexual de Ben, repleta de cobranças, exigências e imposições. Mrs. Robinson como adúltera é altamente impositiva e manipuladora, mas é através dessa experiência que ele descobre o que não quer e encontra o que quer. De quebra, nessa parte do filme o diretor faz crítica demolidora à família americana, onde impera as aparências, o desamor e o formalismo.

Mas a libertação do personagem das amarras sociais - e a afirmação de sua liberdade pessoal - é um processo alimentado pela energia cuja fonte é o sentimento de amor que nutre por Elaine, filha de Mrs. Robinson. Esse amor aos poucos vai se manifestando como livre de todas as imposições sociais. Na verdade, ele se confirma apesar delas.

O filme, de 1967, traz as marcas do momento em que foi produzido: jovens lutando contra entraves sociais e pela auto-afirmação, mesmo que isso implique ruptura dramática com o passado. Alguns sinais do filme são coerentes com essa visão e dignos de nota. Berkeley, por exemplo, a Universidade americana onde começou o movimento estudantil[1] que deságua em 1968, aparece como uma referência à liberdade e ao amor livre. No filme, é em Berkeley que Ben e Elaine começam a viver, por si mesmos, seus sentimentos, suas dúvidas, seus planos e suas decepções, enfim a sua liberdade para amar (e nesse sentido a ficção antecipa a realidade). Mas essa experiência é interrompida pelo pai de Elaine que a tira de Berkeley para afastar-se de Ben e casar-se com um comportado estudante de medicina. Como se verá, era tarde demais: a rebelião da liberdade já estava em curso!

Benjamin vai atrás de seu amor. Resgata Elaine do passado e fustiga as pessoas com a cruz. É também com a cruz com que o personagem prende a porta da Igreja retendo as pessoas (o passado?) no interior dela e impedindo a perseguição ao casal. Observa-se que a cruz não tem importância religiosa para o personagem. É um mero instrumento usado de forma prática para garantir a fuga deles para a liberdade. Há, nessa cena, uma dessacralização da cruz, significando também uma ruptura do personagem com o peso da religião. O amor, para eles, é mais forte do que a religião.

Família, Sociedade, Profissão, Trabalho, Futuro e Religião (não necessariamente nessa ordem), essas instituições sociais, uma a uma, são demolidas no filme, enquanto se afirma a liberdade individual. Depois, Ben e Elaine, em fuga dentro do ônibus parecem se perguntar: e agora, o que faremos? Como diz um crítico, “depois de tudo, da liberação de todas as amarras, do amor livre, do sexo sem culpa, da independência com relação a um mundo cheio de regras e limitações, Foi essa a pergunta feita a toda geração sessentista ao fim de “A Primeira Noite de um Homem”. E continua nos sendo feita até hoje.


Nota 1) Sobre Berkeley, diz John Searle: “as rebeliões estudantis tiveram início nos "Free Speech Movement" --Movimento pela Liberdade de Expressão-- na Universidade de Berkeley (Califórnia), em outubro de 1964”. Portanto, em 1967, a insurgência estudantil de Berkeley já era conhecida. Acrescenta Searle: “Os protestos irromperam em Berkeley em 1964, mas tiveram origem no ano de 1963, e estavam relacionados com os movimentos de direitos civis dos negros. O movimento dos estudantes de Berkeley é uma conseqüência do movimento de direitos civis”.

Como se vê, também aí estão as raizes "espirituais" da eleição do futuro presidente dos EUA.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Brasil e EUA

Notem que o título é Brasil E Estados Unidos ... o E funciona como conjunção aditiva. Soma. É como eu penso que deve ser a relação entre nosso país e os EUA, com a eleição de Obama. O Brasil, precisa criar alternativas positivas, ações que efetivamente podem ser desenvolvidas com os EUA, com o objetivo de criar uma aliança forte com aquele país. Isso seria estupendo para ambos. Algumas dessas ações positivas já foram propostas pelo secretário de Assuntos Estratégicos, Sr. Mangabeira Unger (ver matéria abaixo).

Sinto que a sociedade brasileira parece propensa a isso e as esperanças cresceram com o telefonema do presidente eleito para o presidente do Brasil, dia 11/11/2008. Nesse telefonema, O Sr. Obama parece ter reconhecido o esforço brasileiro em três pontos: um maior esforço no crescimento econômico, na implementação de programas sociais e no que se refere às energias renováveis. Ainda nesse telefonema O Sr. Obama lembrou que foi aluno de Mangabeira Unger, em Harvard.

Relacionadas a tudo isso, no dia 11 e 12 foram veiculadas as seguintes noticias: Mr. Obama não descartou a vinda ao Brasil; e o jornal americano The Christian Science Monitor declarou em editorial que o Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos "manteve contato com Obama e pode servir como um elo no que pode ser uma poderosa parceria para o Hemisfério Ocidental".

Estaremos aguardando e torcendo para que, finalmente, nosso país possa estabelecer uma relação inédita com os EUA, uma "poderosa parceria para o Hemisfério Ocidental".

Queremos ressaltar que antes de serem veiculadas essas noticias, no dia 9 noticiamos aqui o conteúdo de uma entrevista do Sr. Mangabeira Unger que falava sobre o que poderíamos esperar da eleição de Obama nos EUA. E aplaudimos as propostas do Ministro brasileiro. Como se vê, estávamos no caminho certo...

domingo, 9 de novembro de 2008

Mangabeira Unger e Barack Obama

O Sr. Roberto Mangabeira Unger é Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos e foi professor do presidente eleito dos Estados Unidos, Sr. Barack Obama. Em entrevista ao jornalista Ricardo Amaral, na Revista Época dessa semana, ele faz considerações sobre os desafios do Sr. Obama; as expectativas que o Brasil, realisticamente, poderia alimentar em relação ao seu governo e, finalmente, desenvolve uma explicação sobre sua vitória.
A vitória é atribuída à presença das seguintes características no Sr. Obama: coragem, tenacidade e esperança, essenciais ao homem de Estado. Sugere que essas qualidades estavam presentes desde quando Obama se formou em Direito pela Harvard e optou por trabalhar para os pobres de Chicago ao invés de fazer carreira nas grandes firmas de advocacia.

Para ele o governo de Barack Obama enfrentará 6 grandes desafios: a regulação dos mercados financeiros; a implementação do programa keynesiano básico, adotando políticas fiscal e monetária expansionistas; a resolução do sistema de saúde pública; ser politicamente correto no que se refere à mudança de clima e às energias renováveis; a retirada das tropas do Iraque, colocando-as no Afeganistão e adotar o multilateralismo.

Em relação à expectativa brasileira com relação ao governo Obama, o Ministro diz o seguinte: as frentes do contencioso Brasil x EUA, atualmente, são a questão dos subsídios agrícolas e a questão da representação nos organismos internacionais. Segundo o ministro essas diferenças demorarão a serem resolvidas. Por isso, propõe abrir com os EUA outra frente relacionada a temas como agrocombustíveis para o futuro, tecnologias para médias e pequenas empresas e programas de educação. Dá a entender que tais temas seriam mais fáceis de serem negociados o que facilitaria a resolução das antigas pendências. Marginalmente, segundo minha compreensão, o Ministro sugere que essa estratégia abriria uma extraordinária via de negociação com outras repúblicas americanas, afastando o contencioso e promovendo a paz no continente. Mas o Ministro alerta para um obstáculo sério, do lado brasileiro: “historicamente nos faltam audácia e imaginação. O impedimento principal a isso é espiritual. É nossa falta de clareza e de confiança sobre o nosso papel no mundo”.
É elogiável a entrevista do Ministro Mangabeira Unger. Suas respostas mostram que ele tem uma visão ampla dos temas e uma rara capacidade de ser claro e convincente; com capacidade de avaliação e de síntese nas respostas. Sua proposta em relação à abertura de negociação com os EUA sobre os novos temas é um achado, na minha modesta opinião, pois permite escapulir da armadilha criada pelo pessoal do Itamarati na qual estamos presos há alguns anos. A visão do Ministro é sensacional, mostrando que soube ver que uma nova oportunidade se abriu com a eleição do novo presidente dos EUA. Quanto à sua observação sobre o nosso obstáculo espiritual, acho que ele, mais uma vez, abriu o franco para ser criticado ao sugerir que o brasileiro tem uma mentalidade subalterna e servil, e pobre intelectualmente falando. Acho que é uma generalização que pode parecer uma visão puramente preconceituosa. Só espero que os leitores não se deixem levar por essa observação e se atenham ao principal.

sábado, 8 de novembro de 2008

Mercado, Sociedade e Regulação (III)

Mas será, essa, a melhor solução? Ou essa é uma solução possível no momento, mas ninguém garante que será duradoura? Estou entre os que acreditam que essa solução será momentânea, vigorando até a próxima crise, quando virão soluções novamente semelhantes e assim ... . Meu descrédito nessa solução advém do fato de acreditar que a solução dada resulta de uma grande incompreensão da própria crise e em particular de sua instituição central: o mercado.
Lembrando Karl Polanyi (A Grande Transformação), penso que a crise ora instalada evidencia o seguinte: o mercado na sociedade capitalista é uma instituição que cresceu na medida mesmo que submetia a sociedade aos seus ditames; e seu papel nessa sociedade é, basicamente, um papel de destruição dos vínculos sociais existentes (como um moinho satânico), para a realização de sua natureza. Nessa linha de raciocínio, penso que a solução duradoura para tais crises seria não uma intervenção pura e simples, mas uma regulação muito maior do que os políticos estão dispostos a adotar. Seria quase como uma domesticação do mercado para impedir que ele se transforme num monstro devorador de tudo.
O grande desafio é encontrar a equação adequada para que essa regulação exerça seu objetivo, isto é, arrefecer de forma duradoura os ânimos destruidores dessa instituição sem impedir o exercício de seu papel ativo na dinâmica econômica, de forma a não contribuir para fomentar a criação de outro monstro, o Leviatã que tudo suprime, principalmente, a liberdade.

Nota - Esta é a terceira e última parte de matéria em homenagem a K. Polanyi, que escreveu A Grande Transformação. Leia os posts (I) e (II).

Mercado, Sociedade, Regulação (II)

Os liberais tiveram de admitir, no entanto, a necessidade da intervenção e acabou por prevalecer a perspectiva intervencionista não só nos EUA, mas nos vários países. Passou vigorar a idéia, inclusive, de que como a crise era global, a solução (intervenção) deveria ser global. Aparentemente, os líderes mundiais desprezaram o princípio liberal e sucumbiram ao intervencionismo estatal sobre o mercado.
No auge da crise, ainda, operadores de mercado passaram a consumir avidamente os escritos de Marx, em particular, O Capital, numa tentativa de compreender o que estava acontecendo. Centenas de milhares de exemplares desse clássico da literatura socialista foram comprados, embora não possamos saber se foram efetivamente lidos dada a proverbial dificuldade de compreensão do mesmo, principalmente do 1º volume.
Portanto, em que pese essa crise ter suscitado, também, uma mistura de sinais ideológicos - liberais ortodoxos aceitam a intervenção estatal no mercado; operadores (sempre crédulos nas virtudes do capitalismo) lêem O Capital, originalmente escrito para dar suporte à derrocada do mesmo – nos parece que vai se impondo aos poucos, uma solução keynesiana, tendo como referência aquilo que se viveu na década de 30, logo após a grande crise de 1929.

Nota - Post em homenagem a K. Polanyi que escreveu um dos cem livros mais influentes do século XX: A Grande Transformação. Essa é a parte II, a qual se seguirá a parte III.

Mercado, Sociedade, Regulação (I)

A crise econômica global colocou em debate as relações entre o Estado e o Mercado em suas mútuas interconexões, suscitando, também, a busca de soluções baseadas nas grandes teorias econômicas clássicas. Nos EUA, a crise financeira em sua fase mais aguda, logo após a falência do Lemann Brothers no rastro da crise imobiliária, quando grandes instituições financeiras corriam o risco de seguir pelo mesmo caminho, a solução encontrada pelo governo americano foi costurar com o Congresso um plano de resgate daquelas instituições, significando a injeção de bilhões de dólares no mercado com o intuito de conter o derretimento do valor das ações de grandes empresas; O mesmo aconteceu em diferentes países pelo mundo afora – tanto na Europa, quanto na Ásia e no Oriente médio.
O plano de resgate de Bush (republicano) foi rejeitado, num primeiro momento, pelos parlamentares ligados ao próprio Partido Republicano para quem aquela intervenção contrariava o princípio do liberalismo clássico da primazia do mercado. Quer dizer, os conservadores consideravam que se deveria deixar com o mercado a solução do problema que tinha sido criado pelo próprio mercado, segundo a máxima do liberalismo clássico para o qual a mão invisível do mercado acabaria por solucionar os problemas por ele enfrentados, não cabendo ao Estado intervir com esse intuito. Segundo o credo republicano-liberal, inclusive, essa intervenção significaria, pura e simplesmente, socialismo.

Nota - Esse post é uma homenagem ao grande economista Karl Polanyi. Hoje foi publicado a parte I. Serão publicadas as partes II e III.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De "uma amiga americana"

Aspectos da educação americana

Uma "amiga americana" com quem troquei idéias sobre as relações entre cultura e política nos EUA, presentes nessas eleições, me fez o seguinte relato sobre aspectos educacionais daquele país:

"Sabe, eu sempre desconfiei de que falavam muitas mentiras a respeito dos americanos. Hoje eu tenho certeza disto, especialmente quando vejo minhas filhas na mesma sala em que estudam alunos vindos de países como Kosovo, Paquistão, China, Ucrânica, Rússia, Venezuela, etc... . O tratamento que é dado a essas crianças, o grande respeito por parte dos professores e todo staff é magnifíco. Os professores sempre falam da riqueza que é, para eles, trabalharem com essas pessoas. Por trás disso existe o reconhecimento das vantagens que o pluralismo cultural pode trazer. É realmente fantástico!"

Nesse depoimento, é possível perceber a grande abertura para o convívio pluralista por parte dos professores na américa.
Será que minha hipótese - da presença da cultura antropológica americana na educação daquele país - pode vir a ser conformar?

Conclamo os amigos desse blog a pesquisarem e contribuírem para essa discussão.

Abraço para todos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Barack Obama, presidente eleito

Obama é o presidente eleito e já fez história. Seu nome será lembrado para sempre na história dos EUA e na história do mundo. Sinto-me profundamente agradecido a Deus por presenciar esse momento. Com esse fato de ontem podemos concluir que no mundo as pessoas compreendem mais a diversidade cultural, aceitam mais o convívio pluralista são mais tolerantes.

É uma vitória da inteligência e do conhecimento sobre a ignorância e o obscurantismo. Uma revolução na maneira de pensar comparável à revolução copernicana.

Nunca mais o mundo será o mesmo pois não se voltará a falar sobre a suposta 'inferioridade racial dos negros". E tudo isso sem que, em nenhum momento, tenha-se utilizado o tema "racial" para afirrmar-se. Estamos todos de parabéns, negros, brancos, amarelos, vermelhos, etc.

E parabéns também para algo oculto em tudo isso: a grande antropologia americana, que disseminou a visão pluralista: Margareth Mead, Franz Boas (alemão que fez carreira nos EUA e difundiu o moderno conceito de cultura) e, é claro, a Clifford Gertz, morto recentemente. De todos eles vêm as raizes intelectuais da visão contemporânea e pluralista demonstrada pelos americanos nessas eleições.

Um abraço a todos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O mundo na expectativa

O mundo inteiro está na expectativa do resultado eleitoral nos EUA. As sondagens eleitorais dão vitória para Barack Obama. Caso se confirme, um novo momento histórico vai se iniciar, tão ou mais importante do que a queda do muro de Berlim ou a debâcle da URSS.

Logo saberemos como será a reação mundial. Uma verdadeira tsunami de notícias vai ser produzida, dos mais variados aspectos. Momento único da história mundial.

Só mais um pouco!!!

sábado, 1 de novembro de 2008

Obama pode vencer as eleições, perdendo na Pensilvânia

Logo após o post anterior visitei o blog naamerica.blogspot.com/ (que recomendo), onde é possível ver as seguintes hipóteses de Obama ganhar as eleições, mesmo perdendo na Pensilvânia:

A: "Estados Kerry" (excepto PA) + Iowa + Novo México + Florida.
B: "Estados Kerry" (excepto PA) + IA + NM + Ohio + Colorado.
C: "Estados Kerry" (excepto PA) + IA + NM + Virgínia + North Carolina.
D: "Estados Kerry" (excepto PA) + IA + NM + VA + Colorado + Nevada.

Tudo vai depender, portanto, da combinação eleitoral que ocorrerá. Aguardemos.

Cenários possíveis nas eleições americanas

O site FiveThirtyEight.com publica hoje alguns cenários estatisticamente possíveis nas eleições americanas. Reproduzimos aqui os principais:

Possibilidade de:

1) Empate no Colégio Eleitoral - 0,07%
2) Obama vencer no voto popular – 96,8%
3) Obama vencer de ‘lavada’(landslide), ou seja, com 375 ou mais delegados – 38,45%
4) Obama perder em Ohio e vencer a eleição – 81,17%
5) Obama perder em Ohio e na Florida e vencer a eleição – 76,20%
6) Obama vencer nos Estados em que Kerry venceu em 2004 – 97,71%

Como se vê são reais as possibilidades do Sr. Obama vencer as eleições nos EUA na próxima 3ª feira. Mas teria de ser vitorioso em todos os estados ganhos por Kerry (Kerry states) em 2004 (ver item 6), inclusive a Pensilvânia. Isso porque se vencer all Kerry states/2004, ele teria de saída um total de 264 delegados (lembrando que para vencer são necessários 270 delegados). Bastaria, então, vencer em apenas 01 dos Bush states/2004, como o Colorado, onde está em vantagem nas pesquisas. Portanto, a chave para a compreensão dos itens 4 e 5 está no item 6, que inclui o estado da Pensilvânia. Obama está liderando nesse Estado segundo todas as pesquisas. No entanto, nesse Estado a eleição ainda está indefinida pois McCain tem jogado todas suas fichas ali nos últimos dias.
Portanto, temos de esperar até o dia 4 de Novembro.