quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Alguns significados da eleição de Obama

Qual ou quais são, afinal , o(s) significado(s) da ascendência de um político como ele na sociedade americana, com a conquista do poder?
Um significado óbvio, me parece, advém do fato de ele ser um político "outsider" (pouco integrado à cultura política americana, hegemonicamente dominada pelos brancos). Sua eleição implicaria uma ruptura com a hegemonia da tradição Wasp (branco, anglo-saxão e protestante), significando, então, uma mudança de ordem cultural. Essa mudança teria reflexos em todo mundo ao projetar a imagem de sucesso de um político negro como presidente da mais poderosa nação do planeta. Já há sinais da projeção de uma nova imagem americana no mundo. Mas, na realidade, ainda não podemos prever todas suas consequencias.

A vitória de Obama, consequentemente, vai colocar a seguinte questão: que nova hegemonia vai ser construída nos EUA e como ela vai conseguir integrar os vários elementos do sistema capitalista americano?
Ainda nessa linha, podemos perguntar: como será a nova política externa dos EUA? Como vai tratar a crise da hegemonia americana no mundo? Será que os EUA vão aceitar conviver com outros centros de poder em um mundo multipolar? Provavelmente, sim. E isso se tornará uma reviravolta histórica nas relações internacionais. Um sinal da nova diretriz será o tratamento a ser dado ao Iraque e, por via de conseqüência, a todo o oriente médio, incluindo a questão Palestina e Israel. De quebra, será re-configurada a relação com o Irã, a Coréia, etc.
Ainda não se sabe ao certo os efeitos uma nova política externa americana terá em relação aos grupos terroristas, mas tornando o oriente médio mais estável, a ameaça desses grupos talvez se dissipe.
Internamente, como um governo Obama vai recuperar a economia americana, tendo em vista a crise econômica que abala as estruturas financeiras do país? De modo geral, penso que, como a questão externa está ligada à questão interna, devemos esperar que a saída dos EUA do Iraque resulte numa reorientação dos investimentos para a economia interna e se inicie a recuperação do país.
Se houver recuperação da economia americana, como ele se dará, tendo em vista que Obama já se manifestou favorável ao cuidado com o meio-ambiente e ao bio-combustível? Poderíamos esperar, então, que os EUA deixem de ser um dos maiores poluidores do mundo? Acredito que sim e isso certamente terá reflexo global, e fortalecerá os agentes globais da luta pelo desenvolvimento sustentável dos países.
Como ficaria o Brasil? Penso que se beneficiaria com a expansão da produção e a exportação do bio-combustível, o que seria um fator impulsionador do desenvolvimento brasileiro. Com isso, estaríamos garantindo um longo ciclo de desenvolvimento, coisa da maior importância para nós.
Enfim, são apenas rápidas pinceladas de situações hipotéticas, mas que uma boa discussão tem o poder de ancorá-las na realidade, tornando-as teses políticas factíveis.
São idéias que mostram-se otimistas. Mas acredito nelas.
De qualquer modo, todos nós devemos estar com a nossa atenção voltada para essas eleições nos EUA. O que existe de novo no mundo está passando por alí..... e ele se chama Obama.

2 comentários:

Anônimo disse...

As situações hipotéticas levantadas por você, principalmente, os efeitos da nova e possível política interna e externa de OBAMA, apresentam, aspectos estruturais que podem representar saídas para a recuperação da imagem americana. Me chamou a atenção sua visão de que a maior nação do mundo pode dar reviravoltas internacionais que interessam ao nosso Brasil.
Parabéns pela clareza!!
Sandra Sales

Educação, Direito e afins disse...

olá, Sandra!

Obrigado por sua palavra amiga. Espero que as "situações hipotéticas" tornem-se realidade. A começar pela vitória de Obama, a qual pode começar a se delinear esta noite com o debate dos vices.

Um abraço