quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Cultura e política nos EUA

Novamente o jornalista Bruno Garcez - enviado especial da BBCBrasil à South Bend (Indiana) - escreve uma matéria bem interessante (publicada no site da BBCBrasil), através da qual podemos inferir as novas relaçoes entre a cultura e a política nos EUA. A matéria tem o seguinte título: "QG de Obama em Indiana é 'vizinho' da sede da Ku Klux Klan" .

Diz, em síntese, que o escritório eleitoral da campanha de Obama no Estado de Indiana fica a cerca de 18KM da sede da organização supremacista branca KKK, a qual ainda está ativa. Diz, também que um de seus líderes mora numa pequena cidade - Osceola - e que promovia passeatas na região há dez anos atrás.
Mas o foco central da matéria é sua constatação de que, depois de desenvolver intensas atividades, no início do século passado, em Indiana, e contar com uma forte base militante, as atividades da 'Klan' veio diminuindo. Citando a jornalista Nancy Sulok, do jornal South Bend Tribune, a reportagem diz que ainda na década de 90 foi possível organizar comícios em Indiana, com a participação de pessoas de diversas partes dos EUA. No entanto, essas atividade foram diminuindo aos poucos à medida em que, várias "pessoas começaram a promover eventos de conscientização com ajuda de igrejas locais para esclarecer os moradores sobre o que a KKK representava”, ainda conforme a citada jornalista.
Finalmente, a reportagem transcreve falas de moradores relacionando essa questão do racismo com as eleições americanas.

Cita, em primeiro lugar, Ken Baierl, morador de South Bend e eleitor de Barack Obama. Para ele, os moradores locais já superaram o legado racista:

''As pessoas estão olhando para Obama pelo que ele representa, não pela sua aparência. As pessoas não estão preocupadas com a raça dele e sim com o que ele pode fazer pelo país. E isso é um grande passo para os Estados Unidos.''

Cita outro eleitor do candidato democrata, Doug Archer, que põe em dúvida a possibilidade de o racismo ter sido eliminado da vida local, porém acredita que o pior já passou:

''Acho que (o racismo) ainda não desapareceu. Há atitudes que ainda permanecem e que remetem a gerações passadas. Mas espero que a maioria tenha deixado isso para trás. Ele (Obama) está olhando para o futuro e falando para todos os americanos.''

Faço os seguintes comentários: Em primeiro lugar cabe destacar a sensibilidade do jornalista. Em meio a um tsunami econômico-financeiro, onde todos só falam de economia para explicar a ascensão do candidato democrata, ele vem destacando aspectos, digamos, submersos, mas não menos importantes dessas eleições presidenciais.
Dá para observar o seguinte: houve uma evidente decadência da sub-cultura racista na América. Penso que esse fenômeno foi seguido da disseminação de uma visão mais multicultural, de aceitação do plurarismo cultural e, conseguentemente, da tolerância inter-racial. Caso seja correta essa hipótese, teria isso a ver com a educação americana dos anos 70, 80 e 90? Não posso dizer pois desconheço o que aconteceu com a educação americana nessas décadas.
Mas, certamente, a candidatura do Sr. Barack Obama tem a ver com isso, também. Muitos dizem que a origem de tudo estaria na luta dos direitos civis da década de 60. Concordo. Mas se não tivesse havido alguma mudança cultural posteriormente, atribuível à educação, poderia até haver candidato negro, mas não candidato negro com chances (muito) reais de governar os EUA.

Olhem bem as seguintes frases ditas pelos entrevistados:

"As pessoas não estão preocupadas com a raça dele e sim com o que ele pode fazer para o país. E isso é um grande passo para os Estados Unidos".

"Ele (Obama) está olhando para o futuro e falando para todos os americanos".

São frases que mostram uma grande abertura cultural. E estão absolutamente corretas.

Acrescentaria uma pequena coisa: Obama está falando para o mundo também e sua eleição é um grande passo para a humanidade...não só para os EUA.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Tendência apresentada pelos votos antecipados

12 milhões de pessoas votaram antecipadamente nos EUA, até ontem. 60% o fizeram apoiando o Sr. B. Obama. 39% apoiaram o Sr. McCain.

Considerando que o governo Bush foi o "fim", esta tendência mostra, como disse alguém, "o começo do começo...".

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma análise da situação eleitoral do Estado do Indiana

Trecho reproduzido de reportagem do jornalista Bruno Garcez, da BBC-BRASIL, publicado no Site Terra em 27/10/2008, em relação à campanha eleitoral no estado do Indiana:

"Em Indiana, as sondagens mais recentes indicam uma disputa emparelhada entre o republicano e o democrata. Segundo a média agregada de 22 levantamentos feita pelo site Real Clear Politics, Obama contaria com 47,3% contra 46,8% de McCain.
Racismo
Uma cifra impressionante não apenas pelo fato de que Indiana não conta com uma tradição de voto em candidatos democratas, mas também pelas raízes de intolerância racial ainda hoje presentes no Estado.
Indiana foi um dos berços da organização supremacista branca Ku Klux Klan, que, no passado, promoveu assassinatos, estupros e linchamentos de negros, muitas vezes com a conivência, quando não com a colaboração, de autoridades locais.
Um dos quartéis generais da organização é situado perto da cidade de South Bend, que abriga um ativo QG de Obama, que conta com ativistas brancos e afro-americanos e até mesmo com uma republicana.
Jessie Boechert comanda o grupo Republicans for Change (Republicanos por Mudanças), que conta com outros 25 dissidentes do Partido Republicano, explica o que a motivou a passar para o campo adversário.
"A principal razão é a economia, que afeta os republicanos também. E é algo que eu percebo toda vez que eu vou ao supermercado. Há muitas pessoas sofrendo, pessoas que perderam seus empregos. E a guerra (do Iraque) também foi um fator. Ele (Barack Obama) traz uma perspectiva nova. Não é como todos esses políticos que estão há anos e anos em Washington", afirma.
Butch Morgan, que preside o distrito democrata que abrange South Bend e imediações afirma que os eleitores do Estado desenvolveram uma relação passional com o candidato democrata e se desiludiram com as políticas econômicas dos últimos oito anos.
"A situação econômica e as decisões do governo Bush afetaram muitas pessoas. E, além disso, eu tenho visto desde a disputa das primárias que Barack Obama está conseguindo atrair pessoas de todas as idades e raças. Se ele chegar à Casa Branca, vai enterrar de vez os velhos preconceitos."

Já mencionamos aqui nesse Blog a capacidade do Sr. Obama em dissolver preconceitos. Isso é uma característica sua que requer um estudo mais profundo. Mas a situação acima tão vivamente descrita acentua esse aspecto do candidato democrata.

No entanto, além da explicação econômica de porque as pessoas estão apoiando o democrata, tenho a impressão que também - aliás uma coisa que ainda não vi nenhum comentário - que a sociedade americana desenvolveu nos ultimos anos uma visão multicultural , aberta à diversidade e às diferenças culturais. Conversas com um 'amigo americano' é a base dessa minha idéia. Isso, inclusive, permitiu a ascensão de um político como o candidato democrata, acrescentando que ele é uma pessoa muito bem preparada. Quero dizer, não seria suficiente a abertura 'cultural' da sociedade americana se o candidato não tivesse o preparo para enfrentar os desafios do momento. O indivíduo sempre tem um papel na história. Líderes da história mundial como Lênin, por exemplo, foram essenciais para que determinadas ações históricas obtivessem sucesso. Claro, só estou querendo mostrar a importância do individuo na história e não compará-los.

Mas, concluindo, em síntese digo que a dimensão da mudança cultural da sociedade americana é um aspecto pouco acentuado na explicação para o surgimento, apoio, ascensão e ... possível vitória do Sr. Obama nas eleições presidenciais de 2008 nos EUA.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Obama e sua avó

Não é uma questão de aplaudir tudo o que ele faz. Mas não dá para negar que ter parado de fazer campanha para visitar sua avó que está gravemente doente foi uma sábia decisão, por motivos óbvios. Revelou uma face humana e ética do candidato e demonstrou carinho e respeito por pessoas que foram significativas na sua vida, como ela que o criou.
Decisões assim, bem pensadas, têm levado os principais jornais dos EUA a falar que Mr. Obama possui uma grande capacidade de julgamento e que isso faz a diferença na hora de escolher um candidato.
A campanha de Bill Clinton divulgou o slogan: "As pessoas em primeiro lugar". Se lembrarmos de Mônica Lewinski, esse slogan vira pó.
Mas, a atitude de Obama com sua avó está mostrando o verdadeiro e profundo significado dessa expressão.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Que frase linda!

"I think we need a transformational figure", disse Powell.

Meu Deus! há anos não leio uma frase tão linda para se referir a alguém. No caso o General Colin Powell sobre Mr. Obama.

Teve uma repercussão impressionante o apoio do General ao candidato democrata.

Mr. Obama agradeceu o apoio, nos seguintes termos:

"Today, I am beyond honored and deeply humbled to have the support of Gen. Colin Powell".

[Hoje, Sinto-me honrado e profundamente agradecido em ter o apoio do General Colin Powell.]

Acompanho tudo isso e lembro das fazendas de algodão do sul dos EUA, dos bluesmen, das fugas em direção à liberdade, do som da gaita, do barulho do trem, de B.B.King, de Sidney Poitier, enfim, da lenta mas determinada luta de um povo para mostrar que é tão bom quanto qualquer outro povo do planeta, mas muito generoso, brilhante (jazz, blues, samba, música, futebol, comida), enfim, capacidade de superação e destino de vencedor.

Que lição este sr. está dando a todos nós em escala planetária. Agradeço a Deus por estar vivendo isso.

domingo, 19 de outubro de 2008

Colin Powel apóia Obama

Foram muito bonitos e interessantes os termos com os quais o "velho general" do governo Bush declarou seu apoio a Obama, neste domingo.

Para ele, "todos americanos ... não só afro-americanos, vão ficar orgulhosos com uma vitória de Obama". Disse ainda que Obama tem a capacidade de "inspirar" e "incluir" os americanos.

Afirmou que a campanha de McCan tem um tom "belicoso" e que "não é isso que os americanos querem ver".

Ainda sobre Obama, afirmou que vai ser um presidente da mudança e que sua vitória irá "eletrificar" não só o país mas o mundo.

Essas declarações honram o candidato democrata. Colin Powel tem um grande carisma nos EUA e, apesar de ser servido à seita republicana, ele mesmo é suprapartidário.

Na entrevista que manifestou seu endorsement a Obama, Powel ainda sugeriu que McCain tem um comportamento errático, não domina verdadeiramente os temas econômicos e a dimensão da crise que abala a economia americana e ainda escolheu mal sua vice, a qual considerou despreparada.

Mais alguns valiosos pontos para Mr. Barack Obama!!!

O primeiro gênio político do século XXI

Em maio de 2008 escrevi o seguinte texto que agora publico nesse blog, acrescentando informações recentes:

"A capa da Revista Time de 19 de Maio de 2008 traz a foto de Barack Obama e a frase de que ele é o vencedor na disputa pela indicação da candidatura do Partido Democrata à Presidência dos EUA. A edição dessa revista se tornará histórica porque apresenta não apenas um candidato vencedor, mas também o primeiro gênio político do Século XXI.
Imaginem: negro e tudo o que isso significa na América; sem grande experiência política no cenário político americano; pobre quando comparado aos outros candidatos, etc. E, no entanto, emergiu como vencedor nas primárias do DNC, derrotando um poderoso clã político, o dos Clinton. E quais foram suas armas?
1) Uma grande retórica (aliás, resgatando a importância dessa arte na política);
2) um senso ético elevado;
3) uma surpreendente capacidade de agregar pessoas e de inspirar-lhes confiança e esperança;
4) um frescor ideológico (ele é pós Martin Luther King, Mao Tsé Tung e Lênin), capaz de dissolver preconceitos;
5) sintonizado com os elementos da sociedade da informação.

Muitas outras qualidades serão apresentadas por esse jovem político que sem dúvida confirmarão a emergência do 1º gênio da política no século XXI.

Não sou oráculo... mas quem viver, verá!"

*
A partir dessa última 6ª feira vários jornais americanos, através de editoriais, manifestam seus apoios ao candidato Barack Obama, do partido Democrata. Vejamos alguns trechos desses editoriais:

The Washington Post, 17/10/2008:

Mr. Obama is a man of supple intelligence, with a nuanced grasp of complex issues and evident skill at conciliation and consensus-building. (…) Mr. Obama has the potential to become a great president.

[Mr. Obama é um homem de fina inteligência, com uma compreensão nuançada das questões complexas e evidente habilidade para a conciliação e construção de consenso. (...) Mr. Obama tem o potencial para se tornar um grande presidente.]

Mr. Obama, as anyone who reads his books can tell, also has a sophisticated understanding of the world and America's place in it.

[Mr. Obama, como qualquer um que lê seus livros pode dizer, também tem uma compreensão sofisticada do mundo e do lugar dos EUA nele].

Mr. Obama's temperament is unlike anything we've seen on the national stage in many years. He is deliberate but not indecisive; eloquent but a master of substance and detail; preternaturally confident but eager to hear opposing points of view. He has inspired millions of voters of diverse ages and races, no small thing in our often divided and cynical country. We think he is the right man for a perilous moment.

[O temperamento de Mr. Obama não se parece a qualquer coisa vista no cenário nacional em muitos anos. É ponderado, mas não indeciso; eloqüente, mas um mestre da substância e do detalhe; incrivelmente confiante, mas ansioso para ouvir pontos de vistas opostos. Ele inspirou milhões de eleitores de diversas raças e idades, o que não é uma coisa pequena em nosso freqüentemente dividido e cínico país. Pensamos que ele é o homem certo para um momento perigoso.]

Los Angeles Times, 18/10/2008:

Segundo este newspaper, o apoio a Obama se deve ao fato de que ele "responde às necessidades de um dirigente que precisa ter sangue-frio". Além disso, o jornal apóia Barack Obama sem vacilar para a presidência (...) por ser culto, eloqüente, sóbrio, excitante, constante e maduro. Representa o país como é e como deve ser".

Esses são apenas alguns trechos de editoriais de 2 grande jornais americanos. Os perfis que esses importantes jornais descrevem de Mr. Obama, para mim, reforçam o que já havíamos escrito:
O Sr. Obama é o primeiro gênio político do século XXI. Um líder que marcará definitivamente esse novo século com as suas ações e seu pensamento.

O que há de novo no mundo passa pelos EUA. E ele se chama ...Obama!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Outra passagem do discurso de Iowa

"We are choosing hope over fear. We're choosing unity over division and sending a powerful message that change is coming to America (...);

I will be a president who finally makes health care affordable and available to every single American, the same way I expanded health care in Illinois (...);

I will be a president who ends this war in Iraq and finally brings our troops home...... who restores our moral standing, who understands that 9/11 is not a way to scare up votes, but a challenge that should unite America and the world against the common threats of the 21st century...... common threats of terrorism and nuclear weapons, climate change and poverty, genocide and disease. Tonight, we are one step closer to that vision of America because of what you did here in Iowa".

TRADUÇÃO LIVRE: NÓS ESTAMOS ESCOLHENDO A ESPERANÇA AO INVÉS DO MEDO. Nós estamos escolhendo a unidade ao invés da divisão e transmitindo que uma poderosa mensagem de mudança está chegando na América.

Eu serei um presidente que (...) terá cuidado com a saúde, proporcionando e disponibilizando para cada americano solteiro, o mesmo plano que eu cuidei de expandir em Illinois;

Eu serei um presidente que terminará esta Guerra no Iraque e finalmente trará de volta nossas tropas para casa... o que manterá nossa moral de pé, que entenderá que o 9/11 não é um caminho para amedrontar o voto, mas a mudança que deverá unir a América e o mundo contra as ameaças comuns do século 21... ameaças comuns do terrorismo e das armas nucleares, das mudanças climáticas e da pobreza, do genocídio e doenças. Esta noite, nós concluiremos um passo para essa visão da América devido ao que vocês fizeram aqui em Iowa.

Está chegando o grande dia!!!

Fazendo história

200 ANOS DEPOIS DO FIM DO COMÉRCIO DE ESCRAVOS, NEGRO
CONCORRE À PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS;

Cerca de 40 anos depois da Suprema Corte dos Estados Unidos ter tomado decisões que acabaram oficialmente com a segregação racial no país, Obama faz História ao se tornar o primeiro negro com chances reais de se tornar o primeiro presidente negro dos EUA.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Alguns significados da eleição de Obama

Qual ou quais são, afinal , o(s) significado(s) da ascendência de um político como ele na sociedade americana, com a conquista do poder?
Um significado óbvio, me parece, advém do fato de ele ser um político "outsider" (pouco integrado à cultura política americana, hegemonicamente dominada pelos brancos). Sua eleição implicaria uma ruptura com a hegemonia da tradição Wasp (branco, anglo-saxão e protestante), significando, então, uma mudança de ordem cultural. Essa mudança teria reflexos em todo mundo ao projetar a imagem de sucesso de um político negro como presidente da mais poderosa nação do planeta. Já há sinais da projeção de uma nova imagem americana no mundo. Mas, na realidade, ainda não podemos prever todas suas consequencias.

A vitória de Obama, consequentemente, vai colocar a seguinte questão: que nova hegemonia vai ser construída nos EUA e como ela vai conseguir integrar os vários elementos do sistema capitalista americano?
Ainda nessa linha, podemos perguntar: como será a nova política externa dos EUA? Como vai tratar a crise da hegemonia americana no mundo? Será que os EUA vão aceitar conviver com outros centros de poder em um mundo multipolar? Provavelmente, sim. E isso se tornará uma reviravolta histórica nas relações internacionais. Um sinal da nova diretriz será o tratamento a ser dado ao Iraque e, por via de conseqüência, a todo o oriente médio, incluindo a questão Palestina e Israel. De quebra, será re-configurada a relação com o Irã, a Coréia, etc.
Ainda não se sabe ao certo os efeitos uma nova política externa americana terá em relação aos grupos terroristas, mas tornando o oriente médio mais estável, a ameaça desses grupos talvez se dissipe.
Internamente, como um governo Obama vai recuperar a economia americana, tendo em vista a crise econômica que abala as estruturas financeiras do país? De modo geral, penso que, como a questão externa está ligada à questão interna, devemos esperar que a saída dos EUA do Iraque resulte numa reorientação dos investimentos para a economia interna e se inicie a recuperação do país.
Se houver recuperação da economia americana, como ele se dará, tendo em vista que Obama já se manifestou favorável ao cuidado com o meio-ambiente e ao bio-combustível? Poderíamos esperar, então, que os EUA deixem de ser um dos maiores poluidores do mundo? Acredito que sim e isso certamente terá reflexo global, e fortalecerá os agentes globais da luta pelo desenvolvimento sustentável dos países.
Como ficaria o Brasil? Penso que se beneficiaria com a expansão da produção e a exportação do bio-combustível, o que seria um fator impulsionador do desenvolvimento brasileiro. Com isso, estaríamos garantindo um longo ciclo de desenvolvimento, coisa da maior importância para nós.
Enfim, são apenas rápidas pinceladas de situações hipotéticas, mas que uma boa discussão tem o poder de ancorá-las na realidade, tornando-as teses políticas factíveis.
São idéias que mostram-se otimistas. Mas acredito nelas.
De qualquer modo, todos nós devemos estar com a nossa atenção voltada para essas eleições nos EUA. O que existe de novo no mundo está passando por alí..... e ele se chama Obama.

Novas pesquisas eleitorais ampliam a vangtagem de Obama

Como mencionamos neste blog, a candidatura democrata vinha avançando em estados chaves. Ontem foram publicadas outras pesquisas mostrando que os eleitores de alguns Estados que votaram em G. Bush em 2004 estão apoiando o candidato B. Obama (Ohio, Pennsilvania, Florida, Virgínia, etc).
Quem quiser ter um panorama da dinâmica eleitoral americana, por estado, pode acessar o seguinte endereço: http://www.electoral-vote.com/evp2008/Pres/Maps/Oct02.html. A simples observação mostra o quanto está se tornando cada dia mais próxima a vitória do candidato BO nas eleições dos EUA.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Trechos do discurso de Iowa: O dia está chegando!

Assim que Obama ganhou de Hilary Clinton nas primárias do Estado de Iowa, em 2007, ele fez um discurso histórico do qual elegeremos alguns trechos que publicaremos aqui, com tradução livre. Os posts serão publicados até que se defina o vencedor das eleições nos EUA e servirá para que reflitamos sobre esse momento tão importante da história americana e mundial. No trecho abaixo, após ser anunciado pelo apresentador, Obama entra, sob palmas:

"Thank you. Thank you. Thank you. Thank you, Iowa. You know, they said -- they said -- they said this day would never come. They said our sights were set too high. They said this country was too divided, too disillusioned to ever come together around a common purpose. But, on this January night, at this defining moment in history, you have done what the cynics said we couldn't do. You have done what the state of New Hampshire can do in five days. You have done what America can do in this new year, 2008. In lines that stretched around schools and churches in small towns and in big cities, you came together, as Democrats, Republicans, and independents, to stand up and say that we are one nation, we are one people, and our time for change has come.
You said the time has come to move beyond the bitterness and pettiness and anger that's consumed Washington...to end the political strategy that has been all about division, and instead make it about addition, to build a coalition for change that stretches through red states and blue states...

"ELES disseram que esse dia não chegaria nunca. Eles disseram que nossa visão era muito pretensiosa. Eles disseram que este país estava dividido, muito desiludido e jamais se juntaria em torno de uma proposta comum. Mas, nessa noite de Janeiro, nesse definido momento histórico, vocês fizeram o que os cínicos disseram que não poderíamos fazer. Vocês fizeram o que o Estado de New Hampsshire pode fazer em cinco dias. Vocês fizeram o que a América pode fazer neste novo ano de 2008. Como linhas estendidas ao redor de escolas e igrejas nas pequenas cidades e nas grandes cidades, vocês vieram juntos, seja Democratas, Republicanos e Independentes, mantém-se de pé e dizem que nós somos uma nação, nós somos um povo, e nosso tempo de mudança começou.
(Ovacionado!). Obrigado Iowa. A MULTIDÃO: OBAMA! OBAMA!…
Vocês dizem que chegou o tempo de mandar para longe o rancor, a mesquinharia e o ódio que consumiu Washington ... do fim da estratégia política que foi toda feita sobre a divisão, e não sobre a união, para construir uma coalizão para mudança que liga completamente estados vermelhos e estados azuis ... "

A América está, realmente, fazendo com que esse dia aconteça. Que povo incrível, o povo americano!!!

A candidatura democrata avança em estados chaves

Agora a candidatura de Obama avança em estados como Virgínia, Carolina do Norte, Pensilvania, Ohio e Florida. Esses estados são centrais quando se trata de vencer as eleições nos EUA. Quem quiser ver detalhes das pesquisas nesses estados pode ir no Blog O Valor das Idéias, do professor Carlos Santos. Esse Blog, para mim, é o que existe de melhor em matéria de informação e qualidade das análises das eleições americanas e desconheço algo parecido no Brasil.