domingo, 28 de setembro de 2008

Obama emerge como favorito nas eleições americanas

Após o 1º debate entre os candidatos a presidente dos EUA Obama começa a aparecer como favorito. Qual será o significado de eventuaql vitória de Obama?
Ainda durante as primárias a Revista Time publicou uma foto de Barack Obama e a frase de que ele seria o vencedor na disputa pela indicação do DNC à Presidência dos EUA. A edição dessa revista se tornará histórica porque apresenta não apenas um candidato vencedor mas também o primeiro gênio político do Século XXI. Imaginem: negro e tudo o que isso significa na América, sem grande experiência política no cenário político americano, pobre quando comparado aos outros candidatos, etc. E no entanto, emergiu como vencedor nas primárias do DNC, derrotando um poderoso clã político, o dos Clinton. E quais foram suas armas?
1) Uma grande retórica (aliás, resgatando a importância dessa arte na política),
2) um senso ético elevado,
3) uma surpreendente capacidade de agregar pessoas e de inspirar-lhes confiança e esperança,
4) um frescor ideológico (ele é pós Martin Luther King, Mao Tsé Tung e Lênin), capaz de dissolver preconceitos,
5) sintonizado com os elementos da sociedade da informação.

Muitas outras qualidades serão apresentadas por esse jovem político que sem dúvida confirmarão a emergência do 1º gênio da política no século XXI.

Não sou oráculo... mas quem viver, verá!
Joberto

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Golpe de Mestre???

A 'jogada' de McCain, suspendendo a campanha num momento de franca expansão da candidatura de Obama nos estados chaves, não está dando certo. Segundo grande parte dos analistas e, principalmente, das pesquisas eleitorais, os eleitores mantiveram o apoio à candidatura Obama que se torna, cada vez mais, irresistível.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A educação superior no Brasil e as finalidades do art. 43, da LDB

O país, sem dúvida, ampliou em muito o acesso ao ensino superior. Houve, de fato, uma ampliação do acesso ao curso superior, o que é inteiramente visível.

O outro lado da questão é a seguinte: o nível de ensino nas faculdades tem decaído muito. Não sei bem se isso acontece nas faculdades federais, onde estudei. Acho que não. Tenho um filho que faz direito na UFRJ e ele me fala que lá o ensino é muito bom. De fato, a faculdade de direito da UFRJ é a primeira colocada em aprovação na prova da OAB/RJ. Mas nas faculdades particulares, realmente, o nível é baixo.

Ministrei aulas em uma das melhores faculdades de Campos. O nível dos alunos, sendo bom, não é o mesmo nível dos alunos que foram meus colegas no meu tempo de faculdade. O debate, a motivação, o empenho, a disputa intelectual era comum na faculdade que estudei. Estranho isso não acontecer nas faculdades hoje. Dou aula em outra faculdade e esses ingredientes estão ausentes, por mais que o professor estimule isso.

Esse é um problema sério da educação superior no Brasil, nas faculdades particulares. Dewey dizia que educação superior é, basicamente, individualização, enquanto no ensino primário a educação é socialização e no ensino secundário a educação é socialização e individualização. Ou seja, deve-se dar grande ênfase, no ensino superior, à formação da personalidade e autonomia intelectuais; à formação de um modo de pensamento individualizado, etc. Segundo ele, ainda, nos EUA, o ensino superior estava cumprindo as tarefas do ensino secundário, devido à precariedade com esse nível de ensino (secundário) executava as suas tarefas. Com isso, o ensino superior nos EUA, tinha caído de nível. Isso foi nos anos 20 a 40, nos EUA. Depois mudou tudo.

Mas o diagnóstico de Dewey se aplica ao Brasil. Realmente, minha experiência tem mostrado que no ensino superior estamos tendo que completar muitas lacunas que são deixadas pelo curso secundário. No caso do Brasil, isso foi potencializado pela história política recente do país que suprimiu o ensino de sociologia e filosofia do ensino médio (2º grau).

Assim, quando cotejo essa vivência com o artigo 43 da LDB, que trata das finalidades da educação superior, só posso concluir que a lei, nesse ponto, parece um conjunto de “idéias fora do lugar”. Não é essa a realidade do ensino superior nas faculdades particulares.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Lições bakhtinianas sobre o texto

O livro Problemas da Poética de Dostoiévski, de Mikhail Bakhtin, sem dúvida, é um grande livro. A análise nele contida constitui, também, a construção de uma visão original da linguagem desse pensador russo. Nessa concepção original da linguagem, o princípio do dialogismo emerge como ponto central. o autor observa que nos romances de Dostoiévski não há apenas a voz e a consciência do autor, mas múltiplas vozes e consciências independentes e autônomas que formam uma ‘autêntica polifonia de vozes plenivalentes’: múltiplas vozes, plenas de valor, que mantém uma relação de igualdade com as outras vozes. Para Bakhtin isso caracteriza o romance polifônico;
Nesse romance, a personagem possui “um ponto de vista especifico sobre o mundo e sobre si mesma”, ponto de vista este que reflete “uma posição racional e valorativa do homem em relação a si mesmo e à realidade circundante”. Portanto a personagem de Dostoiévski tem uma consciência e uma autoconsciência, que permite-lhe a última palavra sobre o mundo e sobre ela mesma.
Por isso, “a personagem dostoievskiana ... é um discurso pleno, uma voz pura” e todo o trabalho de Dostoiévski consiste em “submeter as suas personagens visando a obter delas a palavra de sua autoconsciência” (p.53). A ênfase principal da obra de Dostoiévski consiste “na luta contra a coisificação humana, das relações humanas e de todos os valores humanos no capitalismo ... Com imensa perspicácia Dostoiévski conseguiu perceber a penetração dessa desvalorização coisificante do homem em todos os poros da vida de sua época e nos próprios fundamentos do pensamento humano (...) assim, a nova posição artística do autor em relação ao herói no romance polifônico de Dostoiévski é uma posição dialógica seriamente aplicada e concretizada até o fim, que afirma a autonomia, a liberdade interna, a falta de acabamento e de solução do herói” (p.63).
Ou seja, Dostoiévski, para Bakhtin, entendia que a maneira de evitar essa coisificação em seus romances era atribuir às personagens a plena expressão de suas vozes e de suas visões de mundo, criando, a partir daí, um grande diálogo entre essas vozes plenivalentes.

Daí que “a orientação dialógica, co-participante, é a única que leva a sério a palavra do outro e é capaz de focalizá-la enquanto posição racional ou enquanto um outro ponto de vista. Somente sob uma orientação dialógica interna minha palavra se encontra na mais intima relação com a palavra do outro mas sem se fundir com ela, sem absorvê-la nem absorver seu valor, ou seja, conserva inteiramente a sua autonomia enquanto palavra”

Voltaremos ao assunto para concluir a visão de Bakhtin sobre o romance em Dostoiévski. Quero apenas ressaltar a importância que o diálogo assume em sua visão, não apenas como processo de troca de palavras ou enunciados entre interlocutores numa conversa. Mas aplicável a qualquer fenômeno no qual duas ou mais vozes entram em contato., correspondendo tanto às vozes de dois indivíduos envolvidos em um diálogo aberto, a um autor e a uma personagem dentro do ‘discurso novelístico’ e até às vozes de duas posições conflitivas no funcionamento interno, intrapsicológico (Wertsch ). A noção de diálogo de Bakhtin, fundamenta suas colocações em uma grande variedade de temas: estética, filosofia, e psicologia.

O princípio do texto polifônico - o dialogismo - é o princípio que deve orientar este blog, uma vez que


"A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar de um diálogo: interrogar, escutar, responder, concordar, etc. Neste diálogo o homem participa todo e com toda a sua vida: com os olhos, os lábios, as mãos, a alma, o espírito, com o corpo todo, com as suas ações. Ele se põe todo na palavra, e esta palavra entra no tecido dialógico da existência humana, no simpósio universal" (Bakhtin)

Inaugura-ação

Enfim, um blog que há muito acalentava. Ele vai se dedicar a postagem de artigos sobre educação, direito. Haverá espaço para que possamos relacionar os dois temas - falarmos de direito educacional - que é muito pouco discutido. Espero que esse seja um espaço de debate frutífero, acolhedor e interessante.