terça-feira, 23 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS!!!

Quero desejar a todos os amigos desse blog um

FELIZ NATAL e um ANO NOVO PLENO DE REALIZAÇÕES!!!!!!


BOAS FESTAS!!!!!!!

Política externa: qual o lugar e o papel do Brasil no ambiente global? (II)

Diante desse quadro, o presidente Lula disse, hoje, 23 de Dezembro, que o Brasil tem "obrigação política, econômica, moral e ética" com países do mercosul. É estranho. O presidente quer continuar com a política marcadamente ideológica de ajudar aos “hermanos”, mesmo diante da animosidade crescente com que o país vem sendo tratado, como vimos acima. O que isso significa? Que política é essa?
Não propugnamos aqui, uma política beligerante com esses países. Claro que não. O Brasil deve procurar, sempre, a boa convivência com nossos vizinhos e a manutenção da paz.
Mas, se esses países estão insatisfeitos com a política brasileira de aproximação e de criação de vínculos regionais mais fortes, então, só tem um caminho: O Brasil deve procurar seu rumo. Isso significaria, ao meu ver, a construção de uma aliança estratégica com os EUA em torno de temas importantes para ambos os países, sem perder a independência para a realização de outras alianças com outros países ou blocos econômico-políticos.
Penso, por tudo isso que assinalamos acima, que existe uma grande lucidez no raciocínio externado por Luiz Fernando Furlan no 2º Encontro Brasil-União Européia:

"Nesse momento, infelizmente, eu vejo o Brasil com uma bola de ferro no pé", disse o ex-ministro da Indústria e Comércio, acrescentando: o Brasil está "querendo correr, tendo um grande número de países fazendo propostas, mas (está) amarrado a essa situação (Mercosul). Vamos deixar o Uruguai fazer um acordo com os Estados Unidos e nós fazemos os acordos que queremos". Disse ainda, "Está na hora de o Brasil olhar o seu futuro combinando a convivência mercosulina com o interesse nacional".

Como se vê, os empresários começam a se descolar da política ‘tópica’ do governo Lula. Mas, é preciso que a sociedade como um todo tome uma posição mais clara a respeito da política externa a ser desenvolvida pelo Brasil. Para isso, tem de aparecer candidatos em 2010 que apresentem uma visão consistente do lugar do Brasil no mundo e de seu papel no novo ambiente global que se anuncia.

Política externa: qual o lugar e o papel do Brasil no ambiente global? (I)

O debate público sobre a política externa do país é muito contido. Deveria ser mais discutido pela sociedade brasileira, mas não é. São inúmeras as situações externas que evidenciam a necessidade desse debate.
Veja o caso de nossa relação com alguns países da América Latina. O governo não reagiu à invasão da refinaria da Petrobrás, na Bolívia, pelas tropas do exército boliviano. O fato colocou o país na defensiva, obrigando-o a rever cláusulas contratuais em relação ao preço do gás natural que importamos daquele país. Engolimos tudo aquilo a seco.
Mais recentemente, o Equador expulsou uma empresa privada brasileira, a Odebretch, impediu a saída de alguns de seus funcionários do país e disse que não iria pagar dívida contraída com o BNDES. O governo reagiu de forma um pouco menos convencional, mandando voltar ao Brasil o embaixador que servia naquele país. Mas ficou uma certa apreensão de que o Equador pode impor-nos uma derrota a qualquer momento.
Todos conhecem o caso do Paraguai. O presidente Lugo, desde a campanha eleitoral vem falando sobre a revisão do acordo sobre a hidrelétrica de Itaipu. Eleito, continuou tocando nesse ponto, até há dias atrás, foi veiculada a notícia de que o Paraguai queria o perdão de uma dívida de 19 bilhões com o Brasil.
Fica cada vez mais claro que os países da América Latina passam a considerar o Brasil um país imperialista e, para alguns governos da região, o confronto com o Brasil pode lhes render maior apoio eleitoral, garantindo-lhes a extensão de mandatos políticos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"Personalidade do Ano", revista Time

Não surpreende ninguém, principalmente aos amigos deste blog, o fato de a revista "Time" ter escolhido o presidente eleito dos EUA - Barack Obama - como a "Personalidade do Ano".
Desde 1927 essa revista escolhe "o Homem do Ano". A partir de 1999, trocou o título para "Personalidade do Ano".
Segundo a revista, a razão da escolha deveu-se ao fato de o Sr. Obama "ter a confiança de esboçar um futuro ambicioso em um momento sombrio e a competência que faz os americanos terem esperança de que ele talvez consigar realizá-lo".
A revista resume, ainda, os obstáculos que o presidente eleito teve de superar para ter êxito em seu empreendimento político.
"Em uma da eleições mais loucas da história americana, ele superou a falta de experiência, um nome esquisito, dois candidatos que são instituições políticas e a divisão racial para se tornar o 44º presidente dos Estados Unidos".
Este blog concorda com a escolha da Time, bem como as razões da escolha. No entanto, deixamos claro para os leitores que embora tenhamos apoiado inteiramente a candidatura do sr. Obama, a partir do momento em que ele assumir, no dia 20 de janeiro de 2009, torceremos para que se torne um governo bom para a sociedade americana e para o mundo. No entanto, teremos liberdade para concordarmos ou não com as políticas que vierem a ser implementadas.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Final de ano!

Bem amigos deste blog... estamos em Dezembro, bem no final de ano. Hora de um balanço das coisas positivas e negativas para o Brasil e o mundo. O fato positivo central do mundo foi, sem dúvida, a eleição presidencial dos EUA. Quem acompanhou esse processo pode ver a grande novidade que constituiu a eleição de Barack Obama e a grande expectativa que sua vitória gerou pelo planeta.
O curioso é que bem no final da campanha explodiu a crise econômica nos EUA, que se espalhou pelo mundo e que ainda se mantém como principal preocupação das pessoas e dos governos. A crise e seus efeitos é um dado negativo que todos teremos de deglutir em 2009.
Assim, a expectativa positiva com a eleição de Obama e expectativa negativa com a crise econômica são as duas faces de uma mesma moeda que teremos de conviver e de resolver no ano de 2009.
Palpite de leigo: Os EUA, com a liderança de Obama, vai vencer a crise. Mais, vai sair como líder mundial inconteste. Tenho acompanhado um pouco as ações dos EUA para solucionar a crise. Sinceramente, as decisões tomadas até aqui são impressionantes. E as decisões que são anunciadas pelo presidente eleito são mais impressionantes ainda. Qual o país que pode fazer isso? nenhum!
Torço pelos EUA, com a liderança de Obama. Um novo cenário político, econômico, ambiental está se formando sob essa liderança.
E o Brasil?
O nosso país começou tateando, sem saber muito o que fazer, por não estar acreditando no que via, afinal, depois de anos lutando para sair do marasmo econômico, quando começava a se desenvolver veio a crise. Mas o princípio da realidade foi se impondo aos poucos; o governo parece ter amadurecido e, nesse sentido, começou a tomar medidas mais inteligentes, reduzindo impostos de pessoas físicas e de operações financeiras, o que vai, certamente, incentivar o as pessoas a consumirem com normalidade.
Parece que vamos tomando pé na situação. Penso que o Brasil vai sair fortalecido dessa crise, ao contrário do que aconteceu em crise anteriores. E se compararmos as perspectivas brasileiras com as dos países da América Latina aí então podemos ver a grande diferença.
Pense na situação econômica e política da Argentina. Antes da crise mundial esse país já estava mal. Com a crise sua situação ficou preocupante. Em decorrência, a legitimidade do governo ficou precária.
Pense na Venezuela. A queda do preço do petróleo está afundando a economia venezuelana e, em consequência, a legitimidade do governo ditatorial de Hugo Chávez vai se erodindo.
E o Chile? O preço do principal produto de exportação chileno, o cobre, desabou no mercado mundial. A situação chilena se degradou bastante e não está sendo pior porque o preço do petróleo, que o chile importa na medida mesmo de sua necessidade, caiu muito no mercado. Por outro lado, o governo de Michele Bachelet ainda conta com grande apoio popular.
Ao contrário de todos esses países o Brasil possui um governo eleito democraticamente e que não tem veleidade de obter um terceiro mandato. Ou seja, as instituições têm se mostrado estáveis. Tem sólidos fundamentos macroeconômicos; inflação controlada; uma economia diversificada e, mais importante, um mercado interno fabuloso que vai segurar a onda da crise.
Num contexto de recessão global, certamente o Brasil vai se manter em crescimento, ainda que pequeno. Isso vai fazer toda a diferença.
O que vocês acham disso? Feliz Natal para todos!!!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Imperdível

Estou lendo avidamente o livro "A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros", de Antonio Risério. Pretendo, posteriormente, fazer um comentário mais abrangente do mesmo. Por ora adianto para os amigos desse Blog que é um livro muito bom. Não consegui largá-lo desde que o tive em minhas mãos.

É muito bem informado sobre as diferenças entre o segregacionismo racial dos EUA, sua origem e seus desdobramentos atuais e a hibridização (mestiçagem) da cultura brasileira; com base nos argumentos que são levantados critica vigorosamente a política dos movimentos negros no Brasil que pretende retirar "o mulato" da cena etnodemográfica brasileira e transformar o Brasil em um país bicolor (Black and White), como foi feito nos EUA.

O curioso é que enquanto isso é tentado em nosso país, cresce nos EUA o movimento que pretende fazer com que os "mulatos" americanos tenham reconhecido sua origem tanto negra quanto branca. É sabido que nos EUA basta ter uma única gota de sangue negro para que alguém seja considerado negro, mesmo que seja fenotipicamente branco ou que a maioria de seus ascendentes sejam brancos. Nesse sentido, surge a curiosa figura social do "passing", pessoa com características fenotípicas de pessoas brancas mas que possuem ascendência negra. Para evitar esse reconhecimento, fazem tudo para acentuar as características brancas (através de cirurgias, etc.) e, mais importante, procuram se afastar de tudo o que venha a lembrar essa ascendência.

A análise de Risério procura demonstrar que jamais seremos um país bicolor, que a sociedade brasileira se vê misturada, não é segregacionista, valoriza e se orgulha dessa mistura e que, mesmo sabendo que existe o racismo, combate-o firmemente.

É imperdível e recomendo sua leitura, sugerindo um futuro debate sobre ele nesse blog.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Obama e Hilary Clinton

Conforme notícias veiculadas nos jornais, o presidente dos EUA escolheu Hilary Clinton para ser a Secretária de Estado. Esse fato repercutiu de duas formas, basicamente. Uns viram como uma escolha de elevado risco, vez que a candidata derrotada pelo Sr.Obama nas primárias tem uma concepção própria da política externa que deveria ser implementada pelo governo dos EUA. Nesse sentido, pergunta-se até que ponto ela seguirá a orientação presidencial. Outros viram a indicação como uma demonstração de habilidade do Presidente eleito, chamando para o governo uma potencial opositora e, assim, podendo controlá-la melhor.
Não vejo dessa forma. Penso que o principal é que o Sr. Obama tem implementado uma concepção de formação de governo de acordo com seu talento político. Se inspirando em A. Lincoln, 16º presidente dos EUA, adotou o chamado "gabinete de rivais". Notícias de hoje dão conta que o presidente eleito teria dito que gosta de conviver com pessoas de opiniões fortes e consistentes que disputam a orientação da política governamental. Isso é, de fato, muito importante num momento como o que os EUA atravessam pois permite que a política do governo tenha uma dimensão multifacetada da realidade da crise.

Tudo isso tem mostrado uma visão altamente corajosa de quem tem segurança para conviver com opiniões diferentes; revela também um alto nível de competência para ser capaz de retirar da discussão uma posição firme e consistente para melhor enfrentar a séria crise da economia americana e mundial.

Bem... falamos em posts anteriores que o Sr. Obama era o primeiro gênio da política do século XXI. Penso que todo esse processo que vemos nessa transição do podr nos EUA, tem mostrado isso, uma vez mais.

domingo, 23 de novembro de 2008

O novo presidente dos EUA e o Protocolo de Kyoto

- Assim que eu assumir, vocês podem estar certos de que os Estados Unidos vão, mais uma vez, se engajar vigorosamente nessas negociações e ajudar a liderar o mundo em direção a uma nova era de cooperação global em mudanças climáticas.

Essas foram palavras do Presidente eleito dos EUA, Barack Obama. Assim, a luta dos agentes globais pela redução das emissões de gases que produzem o efeito-estufa ganhou um grande e inspirador apoio que vai colocar um ponto final na política do governo Bush, contrária ao Acordo de Kyoto.

Apesar de representar uma mudança de 180º na política que vinha sendo implementada pelo governo republicano e significar uma reviravolta espetacular na orientação dos EUA nessa matéria, é de se estranhar a reduzida repercussão que foi dada à mesma pela mídia. A notícia veiculada pelo jornal O Globo de 21 de Novembro de 2008 pode ser encontrada praticamente escondida no lado direito da página 32, na mesma página onde os destaques são matérias sobre o vírus Ebola, o aniversário de 10 anos da estação espacial e a migração dos animais na África, na época da seca.
Acreditamos, no entanto, que ainda vamos ver nesse grande jornal uma reportagem mais ampla dando conta dessa guinada na política americana em relação ao meio ambiente

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aspectos históricos das eleições americanas

Várias foram as razões que tornaram históricas as eleições americanas. Aqui mesmo nesse blog já discutimos algumas delas (ver os seguintes posts: O(s) significado(s) da eleição de Obama. Fazendo história, etc.).
Aqui transcrevemos alguns números publicados pelo Blog "Eleições Americanas 2008" do Nuno Gouveia, que mostram aspectos eleitorais que explicam o sucesso de Obama:

"13 milhões de endereços de email;
500 milhões de dólares angariados online;
6,5 milhões de doações de 3 milhões de doadores, com uma média de 80 dólares;
3,2 milhões de amigos no Facebook (Mccain tinha 600 mil) e mais dois milhões noutras redes sociais;
2 milhões de perfis criados no My.BarackObama.com;
Um milhão de participantes no programa de envio de sms;
400 mil voluntários que escreveram em blogs, 200 mil eventos criados por voluntários e 35 mil grupos locais criados;
3 milhões de chamadas telefónicas feitas nos últimos quatro dias da campanha eleitoral, por voluntários em suas casas".

Esses números tornam evidente que o candidato se serviu largamente das novas tecnologias da informação, em particular da internet. É a primeira eleição que faz uso direto desses novos recursos tecnológicos.

Por tudo isso também, essas eleições foram históricas e, certamente, influenciarão eleições em todo mundo de agora em diante.

Cabe registrar, ainda, que enquanto nos EUA se fazia uso da internet, dos blogs, do SMS, etc, aqui no Brasil existia toda uma discussão se se devia ou não impedir o uso dessas tecnologias nas eleições de 2008.
Meu Deus! nosso país é muito cartorial!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Análise do filme "A primeira noite de um homem"

Um momento lazer desse blog: indico que todos amigos assistam nesse fim de semana ao filme "A primeira noite de um homem", cuja análise adianto a seguir. Garanto ser uma ótima opção.

Vários aspectos chamam a atenção nesse clássico do cinema. O filme capta o espírito da época (década de 60) ao mostrar a evolução do personagem Benjamin (Ben) Braddock em direção à sua libertação pessoal numa sociedade altamente repressora. De fato, há uma cobrança social muito grande sobre o personagem. Uma vez formado, as pessoas a sua volta lhe cobram que trilhe o caminho do sucesso profissional e pessoal (casando-se com uma moça de família rica e bem sucedida). E essas cobranças tornam sua vida angustiante.

A primeira oportunidade que aparece na sucessão de seu processo de libertação e de encontro consigo mesmo ocorre quando é seduzido por Mrs. Robinson. É, também, a primeira experiência sexual de Ben, repleta de cobranças, exigências e imposições. Mrs. Robinson como adúltera é altamente impositiva e manipuladora, mas é através dessa experiência que ele descobre o que não quer e encontra o que quer. De quebra, nessa parte do filme o diretor faz crítica demolidora à família americana, onde impera as aparências, o desamor e o formalismo.

Mas a libertação do personagem das amarras sociais - e a afirmação de sua liberdade pessoal - é um processo alimentado pela energia cuja fonte é o sentimento de amor que nutre por Elaine, filha de Mrs. Robinson. Esse amor aos poucos vai se manifestando como livre de todas as imposições sociais. Na verdade, ele se confirma apesar delas.

O filme, de 1967, traz as marcas do momento em que foi produzido: jovens lutando contra entraves sociais e pela auto-afirmação, mesmo que isso implique ruptura dramática com o passado. Alguns sinais do filme são coerentes com essa visão e dignos de nota. Berkeley, por exemplo, a Universidade americana onde começou o movimento estudantil[1] que deságua em 1968, aparece como uma referência à liberdade e ao amor livre. No filme, é em Berkeley que Ben e Elaine começam a viver, por si mesmos, seus sentimentos, suas dúvidas, seus planos e suas decepções, enfim a sua liberdade para amar (e nesse sentido a ficção antecipa a realidade). Mas essa experiência é interrompida pelo pai de Elaine que a tira de Berkeley para afastar-se de Ben e casar-se com um comportado estudante de medicina. Como se verá, era tarde demais: a rebelião da liberdade já estava em curso!

Benjamin vai atrás de seu amor. Resgata Elaine do passado e fustiga as pessoas com a cruz. É também com a cruz com que o personagem prende a porta da Igreja retendo as pessoas (o passado?) no interior dela e impedindo a perseguição ao casal. Observa-se que a cruz não tem importância religiosa para o personagem. É um mero instrumento usado de forma prática para garantir a fuga deles para a liberdade. Há, nessa cena, uma dessacralização da cruz, significando também uma ruptura do personagem com o peso da religião. O amor, para eles, é mais forte do que a religião.

Família, Sociedade, Profissão, Trabalho, Futuro e Religião (não necessariamente nessa ordem), essas instituições sociais, uma a uma, são demolidas no filme, enquanto se afirma a liberdade individual. Depois, Ben e Elaine, em fuga dentro do ônibus parecem se perguntar: e agora, o que faremos? Como diz um crítico, “depois de tudo, da liberação de todas as amarras, do amor livre, do sexo sem culpa, da independência com relação a um mundo cheio de regras e limitações, Foi essa a pergunta feita a toda geração sessentista ao fim de “A Primeira Noite de um Homem”. E continua nos sendo feita até hoje.


Nota 1) Sobre Berkeley, diz John Searle: “as rebeliões estudantis tiveram início nos "Free Speech Movement" --Movimento pela Liberdade de Expressão-- na Universidade de Berkeley (Califórnia), em outubro de 1964”. Portanto, em 1967, a insurgência estudantil de Berkeley já era conhecida. Acrescenta Searle: “Os protestos irromperam em Berkeley em 1964, mas tiveram origem no ano de 1963, e estavam relacionados com os movimentos de direitos civis dos negros. O movimento dos estudantes de Berkeley é uma conseqüência do movimento de direitos civis”.

Como se vê, também aí estão as raizes "espirituais" da eleição do futuro presidente dos EUA.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Brasil e EUA

Notem que o título é Brasil E Estados Unidos ... o E funciona como conjunção aditiva. Soma. É como eu penso que deve ser a relação entre nosso país e os EUA, com a eleição de Obama. O Brasil, precisa criar alternativas positivas, ações que efetivamente podem ser desenvolvidas com os EUA, com o objetivo de criar uma aliança forte com aquele país. Isso seria estupendo para ambos. Algumas dessas ações positivas já foram propostas pelo secretário de Assuntos Estratégicos, Sr. Mangabeira Unger (ver matéria abaixo).

Sinto que a sociedade brasileira parece propensa a isso e as esperanças cresceram com o telefonema do presidente eleito para o presidente do Brasil, dia 11/11/2008. Nesse telefonema, O Sr. Obama parece ter reconhecido o esforço brasileiro em três pontos: um maior esforço no crescimento econômico, na implementação de programas sociais e no que se refere às energias renováveis. Ainda nesse telefonema O Sr. Obama lembrou que foi aluno de Mangabeira Unger, em Harvard.

Relacionadas a tudo isso, no dia 11 e 12 foram veiculadas as seguintes noticias: Mr. Obama não descartou a vinda ao Brasil; e o jornal americano The Christian Science Monitor declarou em editorial que o Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos "manteve contato com Obama e pode servir como um elo no que pode ser uma poderosa parceria para o Hemisfério Ocidental".

Estaremos aguardando e torcendo para que, finalmente, nosso país possa estabelecer uma relação inédita com os EUA, uma "poderosa parceria para o Hemisfério Ocidental".

Queremos ressaltar que antes de serem veiculadas essas noticias, no dia 9 noticiamos aqui o conteúdo de uma entrevista do Sr. Mangabeira Unger que falava sobre o que poderíamos esperar da eleição de Obama nos EUA. E aplaudimos as propostas do Ministro brasileiro. Como se vê, estávamos no caminho certo...

domingo, 9 de novembro de 2008

Mangabeira Unger e Barack Obama

O Sr. Roberto Mangabeira Unger é Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos e foi professor do presidente eleito dos Estados Unidos, Sr. Barack Obama. Em entrevista ao jornalista Ricardo Amaral, na Revista Época dessa semana, ele faz considerações sobre os desafios do Sr. Obama; as expectativas que o Brasil, realisticamente, poderia alimentar em relação ao seu governo e, finalmente, desenvolve uma explicação sobre sua vitória.
A vitória é atribuída à presença das seguintes características no Sr. Obama: coragem, tenacidade e esperança, essenciais ao homem de Estado. Sugere que essas qualidades estavam presentes desde quando Obama se formou em Direito pela Harvard e optou por trabalhar para os pobres de Chicago ao invés de fazer carreira nas grandes firmas de advocacia.

Para ele o governo de Barack Obama enfrentará 6 grandes desafios: a regulação dos mercados financeiros; a implementação do programa keynesiano básico, adotando políticas fiscal e monetária expansionistas; a resolução do sistema de saúde pública; ser politicamente correto no que se refere à mudança de clima e às energias renováveis; a retirada das tropas do Iraque, colocando-as no Afeganistão e adotar o multilateralismo.

Em relação à expectativa brasileira com relação ao governo Obama, o Ministro diz o seguinte: as frentes do contencioso Brasil x EUA, atualmente, são a questão dos subsídios agrícolas e a questão da representação nos organismos internacionais. Segundo o ministro essas diferenças demorarão a serem resolvidas. Por isso, propõe abrir com os EUA outra frente relacionada a temas como agrocombustíveis para o futuro, tecnologias para médias e pequenas empresas e programas de educação. Dá a entender que tais temas seriam mais fáceis de serem negociados o que facilitaria a resolução das antigas pendências. Marginalmente, segundo minha compreensão, o Ministro sugere que essa estratégia abriria uma extraordinária via de negociação com outras repúblicas americanas, afastando o contencioso e promovendo a paz no continente. Mas o Ministro alerta para um obstáculo sério, do lado brasileiro: “historicamente nos faltam audácia e imaginação. O impedimento principal a isso é espiritual. É nossa falta de clareza e de confiança sobre o nosso papel no mundo”.
É elogiável a entrevista do Ministro Mangabeira Unger. Suas respostas mostram que ele tem uma visão ampla dos temas e uma rara capacidade de ser claro e convincente; com capacidade de avaliação e de síntese nas respostas. Sua proposta em relação à abertura de negociação com os EUA sobre os novos temas é um achado, na minha modesta opinião, pois permite escapulir da armadilha criada pelo pessoal do Itamarati na qual estamos presos há alguns anos. A visão do Ministro é sensacional, mostrando que soube ver que uma nova oportunidade se abriu com a eleição do novo presidente dos EUA. Quanto à sua observação sobre o nosso obstáculo espiritual, acho que ele, mais uma vez, abriu o franco para ser criticado ao sugerir que o brasileiro tem uma mentalidade subalterna e servil, e pobre intelectualmente falando. Acho que é uma generalização que pode parecer uma visão puramente preconceituosa. Só espero que os leitores não se deixem levar por essa observação e se atenham ao principal.

sábado, 8 de novembro de 2008

Mercado, Sociedade e Regulação (III)

Mas será, essa, a melhor solução? Ou essa é uma solução possível no momento, mas ninguém garante que será duradoura? Estou entre os que acreditam que essa solução será momentânea, vigorando até a próxima crise, quando virão soluções novamente semelhantes e assim ... . Meu descrédito nessa solução advém do fato de acreditar que a solução dada resulta de uma grande incompreensão da própria crise e em particular de sua instituição central: o mercado.
Lembrando Karl Polanyi (A Grande Transformação), penso que a crise ora instalada evidencia o seguinte: o mercado na sociedade capitalista é uma instituição que cresceu na medida mesmo que submetia a sociedade aos seus ditames; e seu papel nessa sociedade é, basicamente, um papel de destruição dos vínculos sociais existentes (como um moinho satânico), para a realização de sua natureza. Nessa linha de raciocínio, penso que a solução duradoura para tais crises seria não uma intervenção pura e simples, mas uma regulação muito maior do que os políticos estão dispostos a adotar. Seria quase como uma domesticação do mercado para impedir que ele se transforme num monstro devorador de tudo.
O grande desafio é encontrar a equação adequada para que essa regulação exerça seu objetivo, isto é, arrefecer de forma duradoura os ânimos destruidores dessa instituição sem impedir o exercício de seu papel ativo na dinâmica econômica, de forma a não contribuir para fomentar a criação de outro monstro, o Leviatã que tudo suprime, principalmente, a liberdade.

Nota - Esta é a terceira e última parte de matéria em homenagem a K. Polanyi, que escreveu A Grande Transformação. Leia os posts (I) e (II).

Mercado, Sociedade, Regulação (II)

Os liberais tiveram de admitir, no entanto, a necessidade da intervenção e acabou por prevalecer a perspectiva intervencionista não só nos EUA, mas nos vários países. Passou vigorar a idéia, inclusive, de que como a crise era global, a solução (intervenção) deveria ser global. Aparentemente, os líderes mundiais desprezaram o princípio liberal e sucumbiram ao intervencionismo estatal sobre o mercado.
No auge da crise, ainda, operadores de mercado passaram a consumir avidamente os escritos de Marx, em particular, O Capital, numa tentativa de compreender o que estava acontecendo. Centenas de milhares de exemplares desse clássico da literatura socialista foram comprados, embora não possamos saber se foram efetivamente lidos dada a proverbial dificuldade de compreensão do mesmo, principalmente do 1º volume.
Portanto, em que pese essa crise ter suscitado, também, uma mistura de sinais ideológicos - liberais ortodoxos aceitam a intervenção estatal no mercado; operadores (sempre crédulos nas virtudes do capitalismo) lêem O Capital, originalmente escrito para dar suporte à derrocada do mesmo – nos parece que vai se impondo aos poucos, uma solução keynesiana, tendo como referência aquilo que se viveu na década de 30, logo após a grande crise de 1929.

Nota - Post em homenagem a K. Polanyi que escreveu um dos cem livros mais influentes do século XX: A Grande Transformação. Essa é a parte II, a qual se seguirá a parte III.

Mercado, Sociedade, Regulação (I)

A crise econômica global colocou em debate as relações entre o Estado e o Mercado em suas mútuas interconexões, suscitando, também, a busca de soluções baseadas nas grandes teorias econômicas clássicas. Nos EUA, a crise financeira em sua fase mais aguda, logo após a falência do Lemann Brothers no rastro da crise imobiliária, quando grandes instituições financeiras corriam o risco de seguir pelo mesmo caminho, a solução encontrada pelo governo americano foi costurar com o Congresso um plano de resgate daquelas instituições, significando a injeção de bilhões de dólares no mercado com o intuito de conter o derretimento do valor das ações de grandes empresas; O mesmo aconteceu em diferentes países pelo mundo afora – tanto na Europa, quanto na Ásia e no Oriente médio.
O plano de resgate de Bush (republicano) foi rejeitado, num primeiro momento, pelos parlamentares ligados ao próprio Partido Republicano para quem aquela intervenção contrariava o princípio do liberalismo clássico da primazia do mercado. Quer dizer, os conservadores consideravam que se deveria deixar com o mercado a solução do problema que tinha sido criado pelo próprio mercado, segundo a máxima do liberalismo clássico para o qual a mão invisível do mercado acabaria por solucionar os problemas por ele enfrentados, não cabendo ao Estado intervir com esse intuito. Segundo o credo republicano-liberal, inclusive, essa intervenção significaria, pura e simplesmente, socialismo.

Nota - Esse post é uma homenagem ao grande economista Karl Polanyi. Hoje foi publicado a parte I. Serão publicadas as partes II e III.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De "uma amiga americana"

Aspectos da educação americana

Uma "amiga americana" com quem troquei idéias sobre as relações entre cultura e política nos EUA, presentes nessas eleições, me fez o seguinte relato sobre aspectos educacionais daquele país:

"Sabe, eu sempre desconfiei de que falavam muitas mentiras a respeito dos americanos. Hoje eu tenho certeza disto, especialmente quando vejo minhas filhas na mesma sala em que estudam alunos vindos de países como Kosovo, Paquistão, China, Ucrânica, Rússia, Venezuela, etc... . O tratamento que é dado a essas crianças, o grande respeito por parte dos professores e todo staff é magnifíco. Os professores sempre falam da riqueza que é, para eles, trabalharem com essas pessoas. Por trás disso existe o reconhecimento das vantagens que o pluralismo cultural pode trazer. É realmente fantástico!"

Nesse depoimento, é possível perceber a grande abertura para o convívio pluralista por parte dos professores na américa.
Será que minha hipótese - da presença da cultura antropológica americana na educação daquele país - pode vir a ser conformar?

Conclamo os amigos desse blog a pesquisarem e contribuírem para essa discussão.

Abraço para todos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Barack Obama, presidente eleito

Obama é o presidente eleito e já fez história. Seu nome será lembrado para sempre na história dos EUA e na história do mundo. Sinto-me profundamente agradecido a Deus por presenciar esse momento. Com esse fato de ontem podemos concluir que no mundo as pessoas compreendem mais a diversidade cultural, aceitam mais o convívio pluralista são mais tolerantes.

É uma vitória da inteligência e do conhecimento sobre a ignorância e o obscurantismo. Uma revolução na maneira de pensar comparável à revolução copernicana.

Nunca mais o mundo será o mesmo pois não se voltará a falar sobre a suposta 'inferioridade racial dos negros". E tudo isso sem que, em nenhum momento, tenha-se utilizado o tema "racial" para afirrmar-se. Estamos todos de parabéns, negros, brancos, amarelos, vermelhos, etc.

E parabéns também para algo oculto em tudo isso: a grande antropologia americana, que disseminou a visão pluralista: Margareth Mead, Franz Boas (alemão que fez carreira nos EUA e difundiu o moderno conceito de cultura) e, é claro, a Clifford Gertz, morto recentemente. De todos eles vêm as raizes intelectuais da visão contemporânea e pluralista demonstrada pelos americanos nessas eleições.

Um abraço a todos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O mundo na expectativa

O mundo inteiro está na expectativa do resultado eleitoral nos EUA. As sondagens eleitorais dão vitória para Barack Obama. Caso se confirme, um novo momento histórico vai se iniciar, tão ou mais importante do que a queda do muro de Berlim ou a debâcle da URSS.

Logo saberemos como será a reação mundial. Uma verdadeira tsunami de notícias vai ser produzida, dos mais variados aspectos. Momento único da história mundial.

Só mais um pouco!!!

sábado, 1 de novembro de 2008

Obama pode vencer as eleições, perdendo na Pensilvânia

Logo após o post anterior visitei o blog naamerica.blogspot.com/ (que recomendo), onde é possível ver as seguintes hipóteses de Obama ganhar as eleições, mesmo perdendo na Pensilvânia:

A: "Estados Kerry" (excepto PA) + Iowa + Novo México + Florida.
B: "Estados Kerry" (excepto PA) + IA + NM + Ohio + Colorado.
C: "Estados Kerry" (excepto PA) + IA + NM + Virgínia + North Carolina.
D: "Estados Kerry" (excepto PA) + IA + NM + VA + Colorado + Nevada.

Tudo vai depender, portanto, da combinação eleitoral que ocorrerá. Aguardemos.

Cenários possíveis nas eleições americanas

O site FiveThirtyEight.com publica hoje alguns cenários estatisticamente possíveis nas eleições americanas. Reproduzimos aqui os principais:

Possibilidade de:

1) Empate no Colégio Eleitoral - 0,07%
2) Obama vencer no voto popular – 96,8%
3) Obama vencer de ‘lavada’(landslide), ou seja, com 375 ou mais delegados – 38,45%
4) Obama perder em Ohio e vencer a eleição – 81,17%
5) Obama perder em Ohio e na Florida e vencer a eleição – 76,20%
6) Obama vencer nos Estados em que Kerry venceu em 2004 – 97,71%

Como se vê são reais as possibilidades do Sr. Obama vencer as eleições nos EUA na próxima 3ª feira. Mas teria de ser vitorioso em todos os estados ganhos por Kerry (Kerry states) em 2004 (ver item 6), inclusive a Pensilvânia. Isso porque se vencer all Kerry states/2004, ele teria de saída um total de 264 delegados (lembrando que para vencer são necessários 270 delegados). Bastaria, então, vencer em apenas 01 dos Bush states/2004, como o Colorado, onde está em vantagem nas pesquisas. Portanto, a chave para a compreensão dos itens 4 e 5 está no item 6, que inclui o estado da Pensilvânia. Obama está liderando nesse Estado segundo todas as pesquisas. No entanto, nesse Estado a eleição ainda está indefinida pois McCain tem jogado todas suas fichas ali nos últimos dias.
Portanto, temos de esperar até o dia 4 de Novembro.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Cultura e política nos EUA

Novamente o jornalista Bruno Garcez - enviado especial da BBCBrasil à South Bend (Indiana) - escreve uma matéria bem interessante (publicada no site da BBCBrasil), através da qual podemos inferir as novas relaçoes entre a cultura e a política nos EUA. A matéria tem o seguinte título: "QG de Obama em Indiana é 'vizinho' da sede da Ku Klux Klan" .

Diz, em síntese, que o escritório eleitoral da campanha de Obama no Estado de Indiana fica a cerca de 18KM da sede da organização supremacista branca KKK, a qual ainda está ativa. Diz, também que um de seus líderes mora numa pequena cidade - Osceola - e que promovia passeatas na região há dez anos atrás.
Mas o foco central da matéria é sua constatação de que, depois de desenvolver intensas atividades, no início do século passado, em Indiana, e contar com uma forte base militante, as atividades da 'Klan' veio diminuindo. Citando a jornalista Nancy Sulok, do jornal South Bend Tribune, a reportagem diz que ainda na década de 90 foi possível organizar comícios em Indiana, com a participação de pessoas de diversas partes dos EUA. No entanto, essas atividade foram diminuindo aos poucos à medida em que, várias "pessoas começaram a promover eventos de conscientização com ajuda de igrejas locais para esclarecer os moradores sobre o que a KKK representava”, ainda conforme a citada jornalista.
Finalmente, a reportagem transcreve falas de moradores relacionando essa questão do racismo com as eleições americanas.

Cita, em primeiro lugar, Ken Baierl, morador de South Bend e eleitor de Barack Obama. Para ele, os moradores locais já superaram o legado racista:

''As pessoas estão olhando para Obama pelo que ele representa, não pela sua aparência. As pessoas não estão preocupadas com a raça dele e sim com o que ele pode fazer pelo país. E isso é um grande passo para os Estados Unidos.''

Cita outro eleitor do candidato democrata, Doug Archer, que põe em dúvida a possibilidade de o racismo ter sido eliminado da vida local, porém acredita que o pior já passou:

''Acho que (o racismo) ainda não desapareceu. Há atitudes que ainda permanecem e que remetem a gerações passadas. Mas espero que a maioria tenha deixado isso para trás. Ele (Obama) está olhando para o futuro e falando para todos os americanos.''

Faço os seguintes comentários: Em primeiro lugar cabe destacar a sensibilidade do jornalista. Em meio a um tsunami econômico-financeiro, onde todos só falam de economia para explicar a ascensão do candidato democrata, ele vem destacando aspectos, digamos, submersos, mas não menos importantes dessas eleições presidenciais.
Dá para observar o seguinte: houve uma evidente decadência da sub-cultura racista na América. Penso que esse fenômeno foi seguido da disseminação de uma visão mais multicultural, de aceitação do plurarismo cultural e, conseguentemente, da tolerância inter-racial. Caso seja correta essa hipótese, teria isso a ver com a educação americana dos anos 70, 80 e 90? Não posso dizer pois desconheço o que aconteceu com a educação americana nessas décadas.
Mas, certamente, a candidatura do Sr. Barack Obama tem a ver com isso, também. Muitos dizem que a origem de tudo estaria na luta dos direitos civis da década de 60. Concordo. Mas se não tivesse havido alguma mudança cultural posteriormente, atribuível à educação, poderia até haver candidato negro, mas não candidato negro com chances (muito) reais de governar os EUA.

Olhem bem as seguintes frases ditas pelos entrevistados:

"As pessoas não estão preocupadas com a raça dele e sim com o que ele pode fazer para o país. E isso é um grande passo para os Estados Unidos".

"Ele (Obama) está olhando para o futuro e falando para todos os americanos".

São frases que mostram uma grande abertura cultural. E estão absolutamente corretas.

Acrescentaria uma pequena coisa: Obama está falando para o mundo também e sua eleição é um grande passo para a humanidade...não só para os EUA.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Tendência apresentada pelos votos antecipados

12 milhões de pessoas votaram antecipadamente nos EUA, até ontem. 60% o fizeram apoiando o Sr. B. Obama. 39% apoiaram o Sr. McCain.

Considerando que o governo Bush foi o "fim", esta tendência mostra, como disse alguém, "o começo do começo...".

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma análise da situação eleitoral do Estado do Indiana

Trecho reproduzido de reportagem do jornalista Bruno Garcez, da BBC-BRASIL, publicado no Site Terra em 27/10/2008, em relação à campanha eleitoral no estado do Indiana:

"Em Indiana, as sondagens mais recentes indicam uma disputa emparelhada entre o republicano e o democrata. Segundo a média agregada de 22 levantamentos feita pelo site Real Clear Politics, Obama contaria com 47,3% contra 46,8% de McCain.
Racismo
Uma cifra impressionante não apenas pelo fato de que Indiana não conta com uma tradição de voto em candidatos democratas, mas também pelas raízes de intolerância racial ainda hoje presentes no Estado.
Indiana foi um dos berços da organização supremacista branca Ku Klux Klan, que, no passado, promoveu assassinatos, estupros e linchamentos de negros, muitas vezes com a conivência, quando não com a colaboração, de autoridades locais.
Um dos quartéis generais da organização é situado perto da cidade de South Bend, que abriga um ativo QG de Obama, que conta com ativistas brancos e afro-americanos e até mesmo com uma republicana.
Jessie Boechert comanda o grupo Republicans for Change (Republicanos por Mudanças), que conta com outros 25 dissidentes do Partido Republicano, explica o que a motivou a passar para o campo adversário.
"A principal razão é a economia, que afeta os republicanos também. E é algo que eu percebo toda vez que eu vou ao supermercado. Há muitas pessoas sofrendo, pessoas que perderam seus empregos. E a guerra (do Iraque) também foi um fator. Ele (Barack Obama) traz uma perspectiva nova. Não é como todos esses políticos que estão há anos e anos em Washington", afirma.
Butch Morgan, que preside o distrito democrata que abrange South Bend e imediações afirma que os eleitores do Estado desenvolveram uma relação passional com o candidato democrata e se desiludiram com as políticas econômicas dos últimos oito anos.
"A situação econômica e as decisões do governo Bush afetaram muitas pessoas. E, além disso, eu tenho visto desde a disputa das primárias que Barack Obama está conseguindo atrair pessoas de todas as idades e raças. Se ele chegar à Casa Branca, vai enterrar de vez os velhos preconceitos."

Já mencionamos aqui nesse Blog a capacidade do Sr. Obama em dissolver preconceitos. Isso é uma característica sua que requer um estudo mais profundo. Mas a situação acima tão vivamente descrita acentua esse aspecto do candidato democrata.

No entanto, além da explicação econômica de porque as pessoas estão apoiando o democrata, tenho a impressão que também - aliás uma coisa que ainda não vi nenhum comentário - que a sociedade americana desenvolveu nos ultimos anos uma visão multicultural , aberta à diversidade e às diferenças culturais. Conversas com um 'amigo americano' é a base dessa minha idéia. Isso, inclusive, permitiu a ascensão de um político como o candidato democrata, acrescentando que ele é uma pessoa muito bem preparada. Quero dizer, não seria suficiente a abertura 'cultural' da sociedade americana se o candidato não tivesse o preparo para enfrentar os desafios do momento. O indivíduo sempre tem um papel na história. Líderes da história mundial como Lênin, por exemplo, foram essenciais para que determinadas ações históricas obtivessem sucesso. Claro, só estou querendo mostrar a importância do individuo na história e não compará-los.

Mas, concluindo, em síntese digo que a dimensão da mudança cultural da sociedade americana é um aspecto pouco acentuado na explicação para o surgimento, apoio, ascensão e ... possível vitória do Sr. Obama nas eleições presidenciais de 2008 nos EUA.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Obama e sua avó

Não é uma questão de aplaudir tudo o que ele faz. Mas não dá para negar que ter parado de fazer campanha para visitar sua avó que está gravemente doente foi uma sábia decisão, por motivos óbvios. Revelou uma face humana e ética do candidato e demonstrou carinho e respeito por pessoas que foram significativas na sua vida, como ela que o criou.
Decisões assim, bem pensadas, têm levado os principais jornais dos EUA a falar que Mr. Obama possui uma grande capacidade de julgamento e que isso faz a diferença na hora de escolher um candidato.
A campanha de Bill Clinton divulgou o slogan: "As pessoas em primeiro lugar". Se lembrarmos de Mônica Lewinski, esse slogan vira pó.
Mas, a atitude de Obama com sua avó está mostrando o verdadeiro e profundo significado dessa expressão.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Que frase linda!

"I think we need a transformational figure", disse Powell.

Meu Deus! há anos não leio uma frase tão linda para se referir a alguém. No caso o General Colin Powell sobre Mr. Obama.

Teve uma repercussão impressionante o apoio do General ao candidato democrata.

Mr. Obama agradeceu o apoio, nos seguintes termos:

"Today, I am beyond honored and deeply humbled to have the support of Gen. Colin Powell".

[Hoje, Sinto-me honrado e profundamente agradecido em ter o apoio do General Colin Powell.]

Acompanho tudo isso e lembro das fazendas de algodão do sul dos EUA, dos bluesmen, das fugas em direção à liberdade, do som da gaita, do barulho do trem, de B.B.King, de Sidney Poitier, enfim, da lenta mas determinada luta de um povo para mostrar que é tão bom quanto qualquer outro povo do planeta, mas muito generoso, brilhante (jazz, blues, samba, música, futebol, comida), enfim, capacidade de superação e destino de vencedor.

Que lição este sr. está dando a todos nós em escala planetária. Agradeço a Deus por estar vivendo isso.

domingo, 19 de outubro de 2008

Colin Powel apóia Obama

Foram muito bonitos e interessantes os termos com os quais o "velho general" do governo Bush declarou seu apoio a Obama, neste domingo.

Para ele, "todos americanos ... não só afro-americanos, vão ficar orgulhosos com uma vitória de Obama". Disse ainda que Obama tem a capacidade de "inspirar" e "incluir" os americanos.

Afirmou que a campanha de McCan tem um tom "belicoso" e que "não é isso que os americanos querem ver".

Ainda sobre Obama, afirmou que vai ser um presidente da mudança e que sua vitória irá "eletrificar" não só o país mas o mundo.

Essas declarações honram o candidato democrata. Colin Powel tem um grande carisma nos EUA e, apesar de ser servido à seita republicana, ele mesmo é suprapartidário.

Na entrevista que manifestou seu endorsement a Obama, Powel ainda sugeriu que McCain tem um comportamento errático, não domina verdadeiramente os temas econômicos e a dimensão da crise que abala a economia americana e ainda escolheu mal sua vice, a qual considerou despreparada.

Mais alguns valiosos pontos para Mr. Barack Obama!!!

O primeiro gênio político do século XXI

Em maio de 2008 escrevi o seguinte texto que agora publico nesse blog, acrescentando informações recentes:

"A capa da Revista Time de 19 de Maio de 2008 traz a foto de Barack Obama e a frase de que ele é o vencedor na disputa pela indicação da candidatura do Partido Democrata à Presidência dos EUA. A edição dessa revista se tornará histórica porque apresenta não apenas um candidato vencedor, mas também o primeiro gênio político do Século XXI.
Imaginem: negro e tudo o que isso significa na América; sem grande experiência política no cenário político americano; pobre quando comparado aos outros candidatos, etc. E, no entanto, emergiu como vencedor nas primárias do DNC, derrotando um poderoso clã político, o dos Clinton. E quais foram suas armas?
1) Uma grande retórica (aliás, resgatando a importância dessa arte na política);
2) um senso ético elevado;
3) uma surpreendente capacidade de agregar pessoas e de inspirar-lhes confiança e esperança;
4) um frescor ideológico (ele é pós Martin Luther King, Mao Tsé Tung e Lênin), capaz de dissolver preconceitos;
5) sintonizado com os elementos da sociedade da informação.

Muitas outras qualidades serão apresentadas por esse jovem político que sem dúvida confirmarão a emergência do 1º gênio da política no século XXI.

Não sou oráculo... mas quem viver, verá!"

*
A partir dessa última 6ª feira vários jornais americanos, através de editoriais, manifestam seus apoios ao candidato Barack Obama, do partido Democrata. Vejamos alguns trechos desses editoriais:

The Washington Post, 17/10/2008:

Mr. Obama is a man of supple intelligence, with a nuanced grasp of complex issues and evident skill at conciliation and consensus-building. (…) Mr. Obama has the potential to become a great president.

[Mr. Obama é um homem de fina inteligência, com uma compreensão nuançada das questões complexas e evidente habilidade para a conciliação e construção de consenso. (...) Mr. Obama tem o potencial para se tornar um grande presidente.]

Mr. Obama, as anyone who reads his books can tell, also has a sophisticated understanding of the world and America's place in it.

[Mr. Obama, como qualquer um que lê seus livros pode dizer, também tem uma compreensão sofisticada do mundo e do lugar dos EUA nele].

Mr. Obama's temperament is unlike anything we've seen on the national stage in many years. He is deliberate but not indecisive; eloquent but a master of substance and detail; preternaturally confident but eager to hear opposing points of view. He has inspired millions of voters of diverse ages and races, no small thing in our often divided and cynical country. We think he is the right man for a perilous moment.

[O temperamento de Mr. Obama não se parece a qualquer coisa vista no cenário nacional em muitos anos. É ponderado, mas não indeciso; eloqüente, mas um mestre da substância e do detalhe; incrivelmente confiante, mas ansioso para ouvir pontos de vistas opostos. Ele inspirou milhões de eleitores de diversas raças e idades, o que não é uma coisa pequena em nosso freqüentemente dividido e cínico país. Pensamos que ele é o homem certo para um momento perigoso.]

Los Angeles Times, 18/10/2008:

Segundo este newspaper, o apoio a Obama se deve ao fato de que ele "responde às necessidades de um dirigente que precisa ter sangue-frio". Além disso, o jornal apóia Barack Obama sem vacilar para a presidência (...) por ser culto, eloqüente, sóbrio, excitante, constante e maduro. Representa o país como é e como deve ser".

Esses são apenas alguns trechos de editoriais de 2 grande jornais americanos. Os perfis que esses importantes jornais descrevem de Mr. Obama, para mim, reforçam o que já havíamos escrito:
O Sr. Obama é o primeiro gênio político do século XXI. Um líder que marcará definitivamente esse novo século com as suas ações e seu pensamento.

O que há de novo no mundo passa pelos EUA. E ele se chama ...Obama!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Outra passagem do discurso de Iowa

"We are choosing hope over fear. We're choosing unity over division and sending a powerful message that change is coming to America (...);

I will be a president who finally makes health care affordable and available to every single American, the same way I expanded health care in Illinois (...);

I will be a president who ends this war in Iraq and finally brings our troops home...... who restores our moral standing, who understands that 9/11 is not a way to scare up votes, but a challenge that should unite America and the world against the common threats of the 21st century...... common threats of terrorism and nuclear weapons, climate change and poverty, genocide and disease. Tonight, we are one step closer to that vision of America because of what you did here in Iowa".

TRADUÇÃO LIVRE: NÓS ESTAMOS ESCOLHENDO A ESPERANÇA AO INVÉS DO MEDO. Nós estamos escolhendo a unidade ao invés da divisão e transmitindo que uma poderosa mensagem de mudança está chegando na América.

Eu serei um presidente que (...) terá cuidado com a saúde, proporcionando e disponibilizando para cada americano solteiro, o mesmo plano que eu cuidei de expandir em Illinois;

Eu serei um presidente que terminará esta Guerra no Iraque e finalmente trará de volta nossas tropas para casa... o que manterá nossa moral de pé, que entenderá que o 9/11 não é um caminho para amedrontar o voto, mas a mudança que deverá unir a América e o mundo contra as ameaças comuns do século 21... ameaças comuns do terrorismo e das armas nucleares, das mudanças climáticas e da pobreza, do genocídio e doenças. Esta noite, nós concluiremos um passo para essa visão da América devido ao que vocês fizeram aqui em Iowa.

Está chegando o grande dia!!!

Fazendo história

200 ANOS DEPOIS DO FIM DO COMÉRCIO DE ESCRAVOS, NEGRO
CONCORRE À PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS;

Cerca de 40 anos depois da Suprema Corte dos Estados Unidos ter tomado decisões que acabaram oficialmente com a segregação racial no país, Obama faz História ao se tornar o primeiro negro com chances reais de se tornar o primeiro presidente negro dos EUA.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Alguns significados da eleição de Obama

Qual ou quais são, afinal , o(s) significado(s) da ascendência de um político como ele na sociedade americana, com a conquista do poder?
Um significado óbvio, me parece, advém do fato de ele ser um político "outsider" (pouco integrado à cultura política americana, hegemonicamente dominada pelos brancos). Sua eleição implicaria uma ruptura com a hegemonia da tradição Wasp (branco, anglo-saxão e protestante), significando, então, uma mudança de ordem cultural. Essa mudança teria reflexos em todo mundo ao projetar a imagem de sucesso de um político negro como presidente da mais poderosa nação do planeta. Já há sinais da projeção de uma nova imagem americana no mundo. Mas, na realidade, ainda não podemos prever todas suas consequencias.

A vitória de Obama, consequentemente, vai colocar a seguinte questão: que nova hegemonia vai ser construída nos EUA e como ela vai conseguir integrar os vários elementos do sistema capitalista americano?
Ainda nessa linha, podemos perguntar: como será a nova política externa dos EUA? Como vai tratar a crise da hegemonia americana no mundo? Será que os EUA vão aceitar conviver com outros centros de poder em um mundo multipolar? Provavelmente, sim. E isso se tornará uma reviravolta histórica nas relações internacionais. Um sinal da nova diretriz será o tratamento a ser dado ao Iraque e, por via de conseqüência, a todo o oriente médio, incluindo a questão Palestina e Israel. De quebra, será re-configurada a relação com o Irã, a Coréia, etc.
Ainda não se sabe ao certo os efeitos uma nova política externa americana terá em relação aos grupos terroristas, mas tornando o oriente médio mais estável, a ameaça desses grupos talvez se dissipe.
Internamente, como um governo Obama vai recuperar a economia americana, tendo em vista a crise econômica que abala as estruturas financeiras do país? De modo geral, penso que, como a questão externa está ligada à questão interna, devemos esperar que a saída dos EUA do Iraque resulte numa reorientação dos investimentos para a economia interna e se inicie a recuperação do país.
Se houver recuperação da economia americana, como ele se dará, tendo em vista que Obama já se manifestou favorável ao cuidado com o meio-ambiente e ao bio-combustível? Poderíamos esperar, então, que os EUA deixem de ser um dos maiores poluidores do mundo? Acredito que sim e isso certamente terá reflexo global, e fortalecerá os agentes globais da luta pelo desenvolvimento sustentável dos países.
Como ficaria o Brasil? Penso que se beneficiaria com a expansão da produção e a exportação do bio-combustível, o que seria um fator impulsionador do desenvolvimento brasileiro. Com isso, estaríamos garantindo um longo ciclo de desenvolvimento, coisa da maior importância para nós.
Enfim, são apenas rápidas pinceladas de situações hipotéticas, mas que uma boa discussão tem o poder de ancorá-las na realidade, tornando-as teses políticas factíveis.
São idéias que mostram-se otimistas. Mas acredito nelas.
De qualquer modo, todos nós devemos estar com a nossa atenção voltada para essas eleições nos EUA. O que existe de novo no mundo está passando por alí..... e ele se chama Obama.

Novas pesquisas eleitorais ampliam a vangtagem de Obama

Como mencionamos neste blog, a candidatura democrata vinha avançando em estados chaves. Ontem foram publicadas outras pesquisas mostrando que os eleitores de alguns Estados que votaram em G. Bush em 2004 estão apoiando o candidato B. Obama (Ohio, Pennsilvania, Florida, Virgínia, etc).
Quem quiser ter um panorama da dinâmica eleitoral americana, por estado, pode acessar o seguinte endereço: http://www.electoral-vote.com/evp2008/Pres/Maps/Oct02.html. A simples observação mostra o quanto está se tornando cada dia mais próxima a vitória do candidato BO nas eleições dos EUA.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Trechos do discurso de Iowa: O dia está chegando!

Assim que Obama ganhou de Hilary Clinton nas primárias do Estado de Iowa, em 2007, ele fez um discurso histórico do qual elegeremos alguns trechos que publicaremos aqui, com tradução livre. Os posts serão publicados até que se defina o vencedor das eleições nos EUA e servirá para que reflitamos sobre esse momento tão importante da história americana e mundial. No trecho abaixo, após ser anunciado pelo apresentador, Obama entra, sob palmas:

"Thank you. Thank you. Thank you. Thank you, Iowa. You know, they said -- they said -- they said this day would never come. They said our sights were set too high. They said this country was too divided, too disillusioned to ever come together around a common purpose. But, on this January night, at this defining moment in history, you have done what the cynics said we couldn't do. You have done what the state of New Hampshire can do in five days. You have done what America can do in this new year, 2008. In lines that stretched around schools and churches in small towns and in big cities, you came together, as Democrats, Republicans, and independents, to stand up and say that we are one nation, we are one people, and our time for change has come.
You said the time has come to move beyond the bitterness and pettiness and anger that's consumed Washington...to end the political strategy that has been all about division, and instead make it about addition, to build a coalition for change that stretches through red states and blue states...

"ELES disseram que esse dia não chegaria nunca. Eles disseram que nossa visão era muito pretensiosa. Eles disseram que este país estava dividido, muito desiludido e jamais se juntaria em torno de uma proposta comum. Mas, nessa noite de Janeiro, nesse definido momento histórico, vocês fizeram o que os cínicos disseram que não poderíamos fazer. Vocês fizeram o que o Estado de New Hampsshire pode fazer em cinco dias. Vocês fizeram o que a América pode fazer neste novo ano de 2008. Como linhas estendidas ao redor de escolas e igrejas nas pequenas cidades e nas grandes cidades, vocês vieram juntos, seja Democratas, Republicanos e Independentes, mantém-se de pé e dizem que nós somos uma nação, nós somos um povo, e nosso tempo de mudança começou.
(Ovacionado!). Obrigado Iowa. A MULTIDÃO: OBAMA! OBAMA!…
Vocês dizem que chegou o tempo de mandar para longe o rancor, a mesquinharia e o ódio que consumiu Washington ... do fim da estratégia política que foi toda feita sobre a divisão, e não sobre a união, para construir uma coalizão para mudança que liga completamente estados vermelhos e estados azuis ... "

A América está, realmente, fazendo com que esse dia aconteça. Que povo incrível, o povo americano!!!

A candidatura democrata avança em estados chaves

Agora a candidatura de Obama avança em estados como Virgínia, Carolina do Norte, Pensilvania, Ohio e Florida. Esses estados são centrais quando se trata de vencer as eleições nos EUA. Quem quiser ver detalhes das pesquisas nesses estados pode ir no Blog O Valor das Idéias, do professor Carlos Santos. Esse Blog, para mim, é o que existe de melhor em matéria de informação e qualidade das análises das eleições americanas e desconheço algo parecido no Brasil.

domingo, 28 de setembro de 2008

Obama emerge como favorito nas eleições americanas

Após o 1º debate entre os candidatos a presidente dos EUA Obama começa a aparecer como favorito. Qual será o significado de eventuaql vitória de Obama?
Ainda durante as primárias a Revista Time publicou uma foto de Barack Obama e a frase de que ele seria o vencedor na disputa pela indicação do DNC à Presidência dos EUA. A edição dessa revista se tornará histórica porque apresenta não apenas um candidato vencedor mas também o primeiro gênio político do Século XXI. Imaginem: negro e tudo o que isso significa na América, sem grande experiência política no cenário político americano, pobre quando comparado aos outros candidatos, etc. E no entanto, emergiu como vencedor nas primárias do DNC, derrotando um poderoso clã político, o dos Clinton. E quais foram suas armas?
1) Uma grande retórica (aliás, resgatando a importância dessa arte na política),
2) um senso ético elevado,
3) uma surpreendente capacidade de agregar pessoas e de inspirar-lhes confiança e esperança,
4) um frescor ideológico (ele é pós Martin Luther King, Mao Tsé Tung e Lênin), capaz de dissolver preconceitos,
5) sintonizado com os elementos da sociedade da informação.

Muitas outras qualidades serão apresentadas por esse jovem político que sem dúvida confirmarão a emergência do 1º gênio da política no século XXI.

Não sou oráculo... mas quem viver, verá!
Joberto

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Golpe de Mestre???

A 'jogada' de McCain, suspendendo a campanha num momento de franca expansão da candidatura de Obama nos estados chaves, não está dando certo. Segundo grande parte dos analistas e, principalmente, das pesquisas eleitorais, os eleitores mantiveram o apoio à candidatura Obama que se torna, cada vez mais, irresistível.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A educação superior no Brasil e as finalidades do art. 43, da LDB

O país, sem dúvida, ampliou em muito o acesso ao ensino superior. Houve, de fato, uma ampliação do acesso ao curso superior, o que é inteiramente visível.

O outro lado da questão é a seguinte: o nível de ensino nas faculdades tem decaído muito. Não sei bem se isso acontece nas faculdades federais, onde estudei. Acho que não. Tenho um filho que faz direito na UFRJ e ele me fala que lá o ensino é muito bom. De fato, a faculdade de direito da UFRJ é a primeira colocada em aprovação na prova da OAB/RJ. Mas nas faculdades particulares, realmente, o nível é baixo.

Ministrei aulas em uma das melhores faculdades de Campos. O nível dos alunos, sendo bom, não é o mesmo nível dos alunos que foram meus colegas no meu tempo de faculdade. O debate, a motivação, o empenho, a disputa intelectual era comum na faculdade que estudei. Estranho isso não acontecer nas faculdades hoje. Dou aula em outra faculdade e esses ingredientes estão ausentes, por mais que o professor estimule isso.

Esse é um problema sério da educação superior no Brasil, nas faculdades particulares. Dewey dizia que educação superior é, basicamente, individualização, enquanto no ensino primário a educação é socialização e no ensino secundário a educação é socialização e individualização. Ou seja, deve-se dar grande ênfase, no ensino superior, à formação da personalidade e autonomia intelectuais; à formação de um modo de pensamento individualizado, etc. Segundo ele, ainda, nos EUA, o ensino superior estava cumprindo as tarefas do ensino secundário, devido à precariedade com esse nível de ensino (secundário) executava as suas tarefas. Com isso, o ensino superior nos EUA, tinha caído de nível. Isso foi nos anos 20 a 40, nos EUA. Depois mudou tudo.

Mas o diagnóstico de Dewey se aplica ao Brasil. Realmente, minha experiência tem mostrado que no ensino superior estamos tendo que completar muitas lacunas que são deixadas pelo curso secundário. No caso do Brasil, isso foi potencializado pela história política recente do país que suprimiu o ensino de sociologia e filosofia do ensino médio (2º grau).

Assim, quando cotejo essa vivência com o artigo 43 da LDB, que trata das finalidades da educação superior, só posso concluir que a lei, nesse ponto, parece um conjunto de “idéias fora do lugar”. Não é essa a realidade do ensino superior nas faculdades particulares.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Lições bakhtinianas sobre o texto

O livro Problemas da Poética de Dostoiévski, de Mikhail Bakhtin, sem dúvida, é um grande livro. A análise nele contida constitui, também, a construção de uma visão original da linguagem desse pensador russo. Nessa concepção original da linguagem, o princípio do dialogismo emerge como ponto central. o autor observa que nos romances de Dostoiévski não há apenas a voz e a consciência do autor, mas múltiplas vozes e consciências independentes e autônomas que formam uma ‘autêntica polifonia de vozes plenivalentes’: múltiplas vozes, plenas de valor, que mantém uma relação de igualdade com as outras vozes. Para Bakhtin isso caracteriza o romance polifônico;
Nesse romance, a personagem possui “um ponto de vista especifico sobre o mundo e sobre si mesma”, ponto de vista este que reflete “uma posição racional e valorativa do homem em relação a si mesmo e à realidade circundante”. Portanto a personagem de Dostoiévski tem uma consciência e uma autoconsciência, que permite-lhe a última palavra sobre o mundo e sobre ela mesma.
Por isso, “a personagem dostoievskiana ... é um discurso pleno, uma voz pura” e todo o trabalho de Dostoiévski consiste em “submeter as suas personagens visando a obter delas a palavra de sua autoconsciência” (p.53). A ênfase principal da obra de Dostoiévski consiste “na luta contra a coisificação humana, das relações humanas e de todos os valores humanos no capitalismo ... Com imensa perspicácia Dostoiévski conseguiu perceber a penetração dessa desvalorização coisificante do homem em todos os poros da vida de sua época e nos próprios fundamentos do pensamento humano (...) assim, a nova posição artística do autor em relação ao herói no romance polifônico de Dostoiévski é uma posição dialógica seriamente aplicada e concretizada até o fim, que afirma a autonomia, a liberdade interna, a falta de acabamento e de solução do herói” (p.63).
Ou seja, Dostoiévski, para Bakhtin, entendia que a maneira de evitar essa coisificação em seus romances era atribuir às personagens a plena expressão de suas vozes e de suas visões de mundo, criando, a partir daí, um grande diálogo entre essas vozes plenivalentes.

Daí que “a orientação dialógica, co-participante, é a única que leva a sério a palavra do outro e é capaz de focalizá-la enquanto posição racional ou enquanto um outro ponto de vista. Somente sob uma orientação dialógica interna minha palavra se encontra na mais intima relação com a palavra do outro mas sem se fundir com ela, sem absorvê-la nem absorver seu valor, ou seja, conserva inteiramente a sua autonomia enquanto palavra”

Voltaremos ao assunto para concluir a visão de Bakhtin sobre o romance em Dostoiévski. Quero apenas ressaltar a importância que o diálogo assume em sua visão, não apenas como processo de troca de palavras ou enunciados entre interlocutores numa conversa. Mas aplicável a qualquer fenômeno no qual duas ou mais vozes entram em contato., correspondendo tanto às vozes de dois indivíduos envolvidos em um diálogo aberto, a um autor e a uma personagem dentro do ‘discurso novelístico’ e até às vozes de duas posições conflitivas no funcionamento interno, intrapsicológico (Wertsch ). A noção de diálogo de Bakhtin, fundamenta suas colocações em uma grande variedade de temas: estética, filosofia, e psicologia.

O princípio do texto polifônico - o dialogismo - é o princípio que deve orientar este blog, uma vez que


"A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar de um diálogo: interrogar, escutar, responder, concordar, etc. Neste diálogo o homem participa todo e com toda a sua vida: com os olhos, os lábios, as mãos, a alma, o espírito, com o corpo todo, com as suas ações. Ele se põe todo na palavra, e esta palavra entra no tecido dialógico da existência humana, no simpósio universal" (Bakhtin)

Inaugura-ação

Enfim, um blog que há muito acalentava. Ele vai se dedicar a postagem de artigos sobre educação, direito. Haverá espaço para que possamos relacionar os dois temas - falarmos de direito educacional - que é muito pouco discutido. Espero que esse seja um espaço de debate frutífero, acolhedor e interessante.