sexta-feira, 26 de junho de 2009

Aos amigos desse blog

Estou com um blog novo. Tenho o maior carinho por esse blog pois foi aqui que tudo começou. No entanto, diferentes razões me lavaram a criar um novo blog.
o novo endereço é: www.jobertosales.wordpress.com/. Espero a visita de todos, de braços abertos.
abraços.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

The Corporation

Acabei de ver The Corporation, um filme/documentário de Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan. Cheio de prêmios internacionais, ele traça uma trajetória da Corporação desde o início do século XVIII até os dias atuais, mostrando, sobretudo, como esse tipo de organização empresarial nasceu, cresceu e passou a dominar a sociedade local e o mundo. Algumas passagens são inquietantes. Por exemplo, quando traça um paralelo entre a pessoa física - todos nós, cidadãos - e a pessoa jurídica, que é uma corporação. Nós, os cidadãos, somos pessoas morais, na medida em que nosso comportamento é balizado por injunções morais. E quando agimos contra a ética, ainda existe as sanções legais a nos coagirem juridicamente. Ao contrário, as corporações se caracterizam, justamente, por serem entes amorais: apenas um objetivo guia a ação das corporações - o lucro. Para conseguir tal objetivo, muitas corporações não se intimidam e nem se detém em criar produtos ou agirem em detrimento dos interesses das pessoas e da sociedade. As corporações possuem, segundo a visão passada pelo documentário, um comportamento eminentemente a-ético. Nesse sentido, poderíamos dizer o seguinte: que distância têm o capitalismo hoje, da sua origem puritana, segundo Max Weber, em que a conduta ética dos agentes históricos foi o fator cultural determinante de sua formação (ver a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber). Além, digamos, dessa liberdade ética, as coporações não são submetidas às regras legais, ou o são apenas de forma tênue. Ninguém nunca viu uma corporação presa, encarcerada. Assim, pode-se dizer que o filme/documentário The Corporation é exaustivo na crítica às corporações. Não sobra nada de pé. Desnuda os interesses subjacentes das ações das mesmas.
Muito interessante, também, que nos países mais desenvolvidos, esse tipo de organização empresarial começa a ser questionada politicamente pelos cidadãos, através de protestos, passeatas, e outras ações. Não me lembro de ter visto esse tipo de ação política por aqui.
Conta, ainda, com depoimentos de inúmeras pessoas como Noam Chomsky, Michael Moore, entre outros e um DVD somente de entrevistas.
Uma ótima dica para ver nesse fim de semana de frio. Voltarei ao assunto.

Delírios d'el Comandante?

Muito bom o artigo "Delírios caribenhos", de Nelson Motta, publicado, hoje, em O Globo. Nelsinho nos diz que não consegue deixar de ler a coluna de Fidel Castro no jornal cubano Granma, pelo fato de ser hilariante o que escreve El Comandante. Por exemplo, Nelson Motta cita o ex líder cubano para quem há um monopólio das comunicações "que estão nas mãos de grupos que controlam tudo que é publicado" no interesse do imperialismo ianque. Fidel parece não se dar conta que isso se aplica, como uma luva, ao que acontece em Cuba, onde os detentores do poder controlam toda publicação além de dificultar o acesso dos cubanos à internet, etc.
Fidel Castro comenta também, ainda segundo Nelson Motta, que "são evidentes os esforços do Pentágono para monopolizar a informação e as redes de internet. Para bloquear o acesso de Cuba a essas fontes". Quer dizer, o comandante atribui aos EUA o bloqueio digital dos cubanos à internet, evitando de atribuir aos líderes políticos cubanos (inclusive a ele mesmo), a responsabilidade por isso. Realmente, é hilário o que escreve o ex líder de Cuba, em que subjaz uma crença arraigada numa conspiração permanente contra Cuba e os cubanos, embora possamos imaginar não ser o que pensa os cubanos, haja vista que grande parte deles fogem ou tentam ou querem sair do país, justamente, para os EUA.
Segundo Nelson Motta, ainda, "a verdadeira revolução vai começar quando a internet e a TV forem livres para todos os cubanos. E a tecnologia, qua não tem ideologia, tornará isso inevitável, é só uma questão de tempo e de bites".
Concordo com essa avaliação, como alías, ressaltamos no post anterior nesse blog.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cuba: liberdade ainda que tardia!

O fim do bloqueio econômico dos EUA em relação à Cuba vai transformar a Ilha, além de se constituir uma mudança e tanto nas relações internacionais e para a America Latina em particular. As medidas iniciais tomadas pelo presidente dos EUA - fim das restrições para remessa de dinheiro e às viagens de cubanos-americanos à Cuba - devem ser consideradas como os primeiros passos para aquele objetivo. Mas, um longo caminho vai ser percorrido onde o papel da população não será nada desprezível. Ao contrário, será essencial.
Segundo Cristina Azevedo, em matéria no Jornal O Globo de 19/04/2009, "A ajuda econômica poderá facilitar o acesso à internet, que chega a custar £ 6 (6 euros) a hora, e se traduzir em maior facilidade para comprar e receber computadores e celulares e na troca de informações. O Governo de Barack Obama derrubou ainda restrições à negócios de empresas de telecomunicações com Cuba".
Tudo isso vai se traduzir em mais liberdade dentro da Ilha, segundo uma fórmula já conhecida em países socialistas/autoritários que passaram por transformações profundas: mais recursos econômicos levarão à intensificação do uso de tecnologia comunicacionais que ampliará a troca de informações. Tudo isso poderá resultar em mais liberdade política.
Essa perspectiva é ressaltada por Yoni Sánchez, a responsável pelo site Generación Y, que acompanhamos aqui nesse Blog. Quando perguntada se as medidas do governo americano vão ajudar na liberdade de informação, ela responde:
"Sim. Elas rompem a fórmula da confrontação. A tecnologia, vinda de cubano-americanos e o que vão trazer devem gerar mais abertura".
Para ela ainda um contato maior com parentes vai ser um fator importante para que ocorram mudanças uma vez que, "as medidas ajudarão mais pessoas a se tornarem independentes economicamente do Estado, e isso gera a independência política. Os familiares contarão como vivem no exterior. Na medida que recebem informações, as pessoas decobrirão que aqui não é inferno nem paraíso. Isso mexerá com a mentalidade cubana" (Fonte: O Globo, 19/4/2009-p.34).

Somos solidários com essa esperança. Principalmente somos solidários com a expansão da liberdade na Ilha que, acreditamos, será um elemento impulsionador do desenvolvimento e do progresso em Cuba.

Liberdade, ainda que tardia!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Está em curso uma revolução nas Relações Internacionais

"Os Estados Unidos não estão e nunca estarão em guerra contra o Islã", disse o Presidente Barack Obama na Turquia. Essas palavras já tinham sido ditas por George Bush. Só que o ex-presidente americano falava uma coisa e tudo fazia para demonstrar justamente o contrário.
Na boca do atual presidente essas palavras ganharam uma credibilidade impressionante. Além de terem coroado o sucesso da 1ª viagem internacional do presidente americano, elas foram proferidas depois de inúmeros discursos na mesma linha, a saber:
1) O Sr. Obama já tinha enviado um vídeo à população iraniana em que manifestava a admiração por aquela grande nação e reiterava a importância que o Irã pode ter nas relações internacionais, dizendo ainda que os Estados Unidos estariam de mãos estendidas para apertar as mãos dos iranianos.
2) Disse claramente aos iraquianos que os Estados Unidos não disputam e nem têm nenhum interesse nos bens do país e que querem deixar o Iraque para os iraquianos.
3) Reiterou sua posição favorável ao estabelecimento do Estado Palestino, posição contrária a do governo israelense.

Bem no início desse Blog escrevíamos que haveria profundas mudanças na política externa americana, com a eleição de Barack Obama. Sem dúvida isso está se confirmando e estamos vivendo um grande momento histórico, nesse sentido.

domingo, 5 de abril de 2009

Decisões do G-20: the turning point of the smart capitalism

O texto abaixo resume as principais decisões do G-20, o encontro dos representantes das 20 maiores economias do planeta, ocorrido em Londres na última 4ª feira.

"Enfrentamos o maior desafio dos tempos modernos para a economia mundial. Uma crise que se agravou desde o nosso último encontro, afetando as vidas de mulheres, de homens, e de crianças em todos os países e frente à qual todos os países devem se unir para resolvê-la. Uma crise mundial exige uma solução mundial".

"Partimos do princípio de que a prosperidade é indivisível e que o crescimento, para ser durável, deve ser compartilhado (...)".

"Estamos comprometidos hoje a fazer tudo o que for necessário para:

- restabelecer a confiança, o crescimento e o emprego;
- reparar o sistema financeiro para restabelecer o crédito;
- reforçar a regulação financeira para manter a confiança;
- financiar e reformar nossas instituições financeiras para superar esta crise e evitar outras.
- promover o comércio mundial e o investimento, e rejeitar o protecionismo
- promover uma retomada ecológica e sustentável"

O G20 apresentou um programa de 1,1 trilhão de dólares destinado a estimular o crédito, o crescimento e o emprego, passando principalmente por um aumento para 750 bilhões de dólares dos recursos do FMI, por uma injeção de 250 bilhões de dólares no comércio, e pelas vendas do ouro de reserva do FMI para ajudar as nações mais pobres.

Restaurar o crescimento e o emprego
O G-20 "se compromete a fazer o esforço orçamentário necessário para restaurar o crescimento". Compromete-se em "fazer o necessário para restaurar um fluxo de crédito normal no sistema financeiro e assegurar que as instituições de importância sistêmica permaneçam saudáveis". Compromete-se a não desvalorizar suas moedas com fins de concorrência.

Reforço da supervisão financeira e da regulação
"A confiança não será restaurada enquanto não tivermos restaurado a crença em nosso sistema financeiro". O G20 vai reforçar a coerência das regulamentações nacionais e os critérios financeiros internacionais, sobretudo, para "desencorajar tomadas de riscos excessivas".

Vai "agir" contra as jurisdições não-cooperativas, entre elas os paraísos fiscais. "A era do segredo bancário acabou".

Reforço das instituições financeiras mundiais
O G20 quer "reformar o mandato, o campo de ação e a governança" de instituições como o FMI ou o Banco Mundial, e promete concluir até janeiro de 2011 uma revisão das cotas do FMI. Os dirigentes dessas instituições serão designados de maneira "aberta, transparente e baseada no mérito"

Resistir ao protecionismo
O G20 reafirma que "impedirá o surgimento de novas barreiras" protecionistas até o final de 2010, e se mantém comprometido em "obter uma conclusão ambiciosa e equilibrada" da Rodada de Doha

Retomada justa e duradoura para todos
O G20 reconhece "o impacto desproporcional sobre as pessoas vulneráveis nos países mais pobres, a dimensão humana desta crise".

Algumas dessas decisões, sem dúvida, reformarão o capitalismo, que nunca mais será o mesmo. Alguns jornais da imprensa européia falam disso claramente. E isso explica o título desse post - the turning point - o ponto de virada. As decisões do G-20 parecem que se constituirão no ponto de virada histórico para o capitalismo inteligente.